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Claudio Sampei

São Paulo / SP - Brasil
49 anos, Consultor

Do nihongakko ao Japão


Apesar de minha avó Miyoko já ser nascida no Brasil, ela fala mais japonês do que português. Como cresci ao lado dela, minha mãe conta que até eu entrar na pré-escola aos 3 anos, eu só falava japonês. Aos 5 anos já estava no Nihongakko (Escola Japonesa) do Bunka de São Bernardo do Campo, naquela época União Cultural ABC. Aprendi o hiragana antes do ABC.

Até os 14 anos fui todos os dias ao Nihongakko: era escola "normal" pela manhã e escola japonesa pela tarde. Me lembro que ia mais pelos amigos e pelo futebol e jintori da hora do intervalo do que propriamente pelas aulas de japonês. Tanto não gostava que na primeira oportunidade que meus pais me deram de parar de ir ao Nihongakko, parei de ir. Fui me dedicar à natação, que eu treinava todos os dias, e ao estudo do inglês.

Fiquei anos sem estudar japonês. Só usava um pouco, e misturado ao português, para falar com minhas obaachans e com alguns parentes. Também continuei lendo um ou outro livro de estórias ou mangas antigos, ainda da época do Nihongakko, o que me ajudou quando resolvi voltar a estudar japonês.

No penúltimo ano da faculdade resolvi que iria ao Japão através de uma bolsa do Governo Japonês. Era necessário voltar a estudar japonês porque a seleção se baseava no conhecimento da língua. Em 1992 voltei a estudar, agora com a saudosa Akemi Kato, mãe de uma amiga da época do Nihongakko, que eu havia ouvido falar que tinha aberto uma escola de japonês. Foi ótimo estudar com a Akemi-san: ela tinha um material voltado exatamente para o ensino da língua japonesa para estrangeiros, com situações do dia-a-dia do Japão. Acabei relembrando tudo que já havia aprendido com a Konno Sensei nos anos de Nihongakko do Bunka de São Bernardo e aprendi várias coisas do dia-a-dia de um estrangeiro no Japão, que me foram bastante úteis durante minha bolsa.

Finalmente no final de 1993 veio a prova da bolsa. Foi bastante tranquilo. Tirei até um "A" na redação. Fui selecionado para um Kenshu (estágio) na província de Chiba, terra de meu avô, com duração de um ano.

Cheguei ao Japão em abril de 1994 e não tive maiores problemas com a língua. Não que meu japonês fosse fluente, mas o que eu sabia era suficiente para me virar, tanto na empresa como no dia-a-dia. Claro que em algumas situações (preencher fichas no dentista, na academia, abrir conta no banco, etc.) precisei de ajuda de Senpais (veteranos de bolsa) e amigos japoneses, mas nada tão complicado. Sempre me apresentava como brasileiro e avisava que não falava muito japonês e por isso sempre recebia uma atenção maior. Talvez por me virar bem, não me interessei em estudar a língua: tinha a opção de estudar japonês pago pelo Governo de Chiba, mas não usei o benefício. Tudo que aprendi de japonês no Japão foi meio que por "osmose".

Hoje penso se não deveria ter escolhido estudar mais japonês durante a juventude ou ter me aprofundado mais no idioma durante a estada no Japão. Perdi algumas oportunidades profissionais por não ter um japonês 100%. Mas são escolhas da vida. Agora também não penso em voltar a estudar. Uso até que bastante a língua nas conversas da família, com amigos japoneses, nas viagens ao Japão, nas entidades nikkeis e até profissionalmente: o que é suficiente para mim e pensando bem, até demais para um praticamente yonsei.


Enviada em: 07/11/2007 | Última modificação: 07/11/2007
 
« Saci e Mula-sem-cabeça Mottainai »

 

Comentários

  1. Yassuda Renato @ 10 Jan, 2008 : 17:35
    Prezado Claudio Sampei; Li seu comentário no BLOG da Redação e creio que você deve ter acompanhado os filhos de minha prima Suzana ou de minha prima Maria Estela. Faz muito tempo que não as vejo, mas sei que os filhos dela foram até Fukuoka, terra natal de minha avó, Shiduno. A província de meu avô era Kagoshima, mas na verdade nossa família teve origem nas terras do Daymio Kenshin UESUGUI em 1530, onde fomos vassalos à seu serviço como samurais. À propósito, a paisagem que aparece de fundo em sua foto parece muito com Amsterdã (Holanda). Fiz um estágio na Holanda em 1997 e atualmente sou executivo de uma empresa de origem holandesa, por isso achei familiar a paisagem.Por favor, me informe se acertei. Um abraço e sucesso. Renato

  2. Amilton Izumizawa @ 27 Fev, 2008 : 17:04
    Claudio, Será que somos parentes "distantes" ? Pois minha avó paterna chamava-se NATSU SAMPEI, sei que meu pai tinha um primo no Centro de SP, e é claro, trabalhava com fotografia.

  3. Claudio Sampei @ 31 Mar, 2008 : 00:06
    Olá Amilton! Infelizmente não devemos ser parentes. Meu avô Itsumu Sampei chegou sozinho ao Brasil e o restante da família Sampei da linhagem dele se mantém toda no Japão.

  4. Rita de Cássia Arruda @ 8 Abr, 2008 : 00:30
    Parabéns, Claudio !!! Adorei ler seus relatos. Gostei especialmente de "Saci e Mula sem cabeça". Muito interessante a forma como as duas culturas se entrelaçaram em sua infância. Assim também, tiro o chapéu para gente como você, que se preocupa com o desenvolvimento sustentável de nosso planeta. Sucesso para o Projeto Mottainai é o que desejo. A propósito... Preciosa essa sua foto de quando era bebê. Legal !!! Você foi um "kodomo" muito fofo mesmo.

  5. Hiroshi Fujii @ 17 Ago, 2008 : 02:32
    Olá Claudio. Gostaria de saber se Yoshinobu Sampei é seu parente. Não o conheci, mas meu irmão Jorge o conheceu no Japão, precisamente em Osaka. Jorge diz que perdeu contato, mas gostariamos de retomá-lo porque o Sr. Yoshinobu era amigo de meu pai, Tsutomu Fujii, que trabalhou no Nippak Shimbun até o final de sua vida. Gratíssimo pela atenção. Aguardo sua reação Hiroshi

  6. hfujii.lapresse@itelefonica.com.br @ 17 Ago, 2008 : 02:36
    Oi Claudio. Faltou enviar meu endereço para uma eventual resposta. Abs. Hiroshi hfujii.lapresse@itelefonica.com.br

  7. Claudio Sampei @ 17 Ago, 2008 : 03:41
    Olá Hiroshi, infelizmente não temos nenhum Yoshinobu em nossa família. abraço

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