Olá, faça o Login ou Cadastre-se

  Conte sua históriaMaristela Chaya › Minha história

Maristela Chaya

Perth - Austrália
42 anos, publicitária

Escola de japonês e grupos de jovens


Sansei, yonsei, não sei... Minha descendência é meio complicada de entender. Pela parte da minha mãe, é tudo muito simples: meu avô e avó são japoneses, tenho até tios nascidos lá. Minha avó por parte de pai também é nascida lá, mas meu avô por parte de pai é nascido aqui no Brasil, portanto sou 75% sansei e 25% yonsei... Prefiro acreditar que sou 100% sansei.

Na minha infância, meus pais logo perceberam a importância do nihongako em minha formação. Foi então que conheci a minha segunda mãe, tutora e conselheira Akemi Kato sensei. Com ela tive toda a educação e cultura oriental. Sinceramente não aprendi muito da língua japonesa, mas o convívio com as outras famílias, os undokais, as festas orientais, os nodojimans, tudo isso foi muito importante. Ela nos ensinava origami, nos levava a museus na Liberdade, fazia excursões anuais - uma delas era para a maior biblioteca de livros japoneses da América Latina (pelo menos na época) -, levava a turma para um curso de kembu (dança com espada e leque) na Liberdade, e com o kembu viajei para muitos lugares do Brasil em eventos orientais para apresentações.

Nas viagens só ouvia música japonesa: era Kudo Shizuka, Nakayama Miho, Hikaru Guenji, Akina, tudo gravado em fitas cassetes para decorar e cantar nos karaokês da vida... Eu lembro do Karaokê Pinheiros, na rua Butantã, do Daiti, na Saúde, do Yellow K, nos Jardins etc.

Na região do ABC, onde eu morava, os seinenkais eram muito fortes. Eu não fazia parte de nenhum, mas estava presentes em todas as festas e bailes. Eles organizavam festas juninas, udons, nodojimans, todo fim de semana tinha evento.

Mas meu primeiro baile mesmo, das 23h às 4h, foi no seinenkai de Santo André... Lembro-me até hoje que os bailes tinham abertura, e este começou com a música do Prince do filme “Batman”, quem estava lá vai se lembrar... Era fumaça para todo lado, a maior gritaria, eu me senti a mais mais por estar lá, meia-noite e o baile só começando. Daí para frente era baile todo sábado: Harmonia, no bairro Rudge Ramos, em São Bernardo, Bunka SBC, Bunka Santo André, Bunka Mauá. Então comecei a ir aos bailes em São Paulo: primeiro no Ipê e no Sirio. Então começaram a surgir outras empresas que marcavam bailes esporadicamente, mas a que todos iam: era Orion, Ekko... Só mudava o endereço e a organização, porque as pessoas eram sempre as mesmas.

Aos domingos sem falta tinha o Mie Ken, eu não faltava a nenhum, sempre perdia a primeira aula de segunda. Se tivesse prova, azar, era uma loucura... Eu e meu irmão num uninho verde, chegando às 18h45, para entrar de graça. Primeiro só no balanço, guardava a bolsa, pegava uma cuba e ficava lá esperando encher. Sempre estavam as mesmas pessoas: o pessoal do Carrão, que trabalhava na feira e só folgava na segunda, o pessoal de Liba, os koreas, os chinas, os caras mestiços grandões, as formosinhas, o pessoal do Carrão, as meninas que eram todas iguais e nunca sabíamos se já tinhamos nos cumprimentado ou não, os meninos e as meninas mais novas, geralmente irmãos e irmãs de alguém, o pessoal que gostava de ir lá para brigar, os caras que iam lá para mostrar os carros cheios de adesivos e sons, e nós: eu, meu irmão, a Dani, a Pati, a Mi e quem chegasse perto e começasse a dançar.

Naquela época dançávamos muitos passinhos, era muito divertido. Depois tinha a sessão de músicas lentas. Se você quisesse dançar, era só ficar de bobeira na pista. Teve uma época em que, depois do Mie, um pessoal ainda ia para um posto na zona leste, ou a um karaokê. Eu fui algumas vezes com um super amigo meu que gostava de carros e do pessoal que freqüentava lá...

Andando pela Liberdade, mais precisamente no shopping Nandemoyá - pois é... quem não lembra do shopping Nandemoyá, que hoje é aquele restaurante no Largo da Pólvora? Pois é, foi andando por lá que o dono do Jornal Paulista, hoje Jornal do Nikkey, me convidou para participar do Miss Nikkei. Eu tinha 15 anos, nem podia... foi ridículo. No fim das contas, quando comecei a faculdade, com 18 anos, fui trabalhar neste jornal, o Jornal Paulista. Comecei vendendo anúncios, e foi muito engraçado: conheci todos os comerciantes da época, que ainda eram todos nihonjins, depois comecei um departamento de Marketing no Jornal, que era eu, a Pati e o Mauro. Íamos a todos os eventos: golfe, beisebol, nodojimans. Às vezes eram dois, três eventos no mesmo fim de semana... Distribuíamos panfletos, pendurávamos banners, era bem divertido. Então, aproveitando que eu estava em todos os eventos, comecei a escrever uma coluna VIP para o jornal. Comecei a conhecer e fotografar todos os famosos da colônia... eram sempre os mesmos... Comecei a organizar alguns eventos. Fiz de tudo um pouco no jornal.


Enviada em: 11/10/2007 | Última modificação: 11/10/2007
 
« No mundinho fashion

 

Comentários

  1. Renato Yassuda @ 8 Abr, 2008 : 11:08
    Prezada Maristela; Parabéns por seu depoimento e por compartilhar conosco. Lendo seu relato achei diversas coincidências interessantes, além do conteúdo referente a dualidade entre os pontos de vista de um descendente de japoneses e o fato de sermos brasileiros de nascimento. As coincidências são a província de origem de antepassados (Kagoshima), data de nascimento (também sou de 11 de outubro), seu nome (tenho uma prima chamada Maristela), somos Sansei e estive em Perth em 2003, a trabalho. A Austrália é um dos lugares mais bacanas que visitei. Se puder leia também meu perfil neste site. Saudações.

  2. LUANA FUYUMI MANENTE UEDA @ 24 Abr, 2008 : 14:42
    GOSTEI MUITO DESTE TRABALHO

  3. Inês @ 25 Abr, 2008 : 10:37
    Muito bonita sua historia, nos mostra como os japoneses eram e são preocupados e manter sua cultura viva, enraizada em seus descendentes, por meio de varios eventos ao longo desses 100 anos e mais integrando os demais Estados, algo dificil, mas como sempre, vcs conseguem. Sou fa desta cultura.

  4. Daniel Takemoto @ 6 Fev, 2009 : 06:23
    Maristela, muito interessante a sua historia... Acabei entrando neste site meio q sem querer e no que fui lendo...Nossa...passei por tuso isso na minha infancia e adolecencia. Muito Legal! Parabens!!

Comente



Todo mundo tem uma história para contar. Cadastre-se e conte a sua. Crie a árvore genealógica da sua família.

Árvore genealógica

Nenhuma árvore.

Histórias

Vídeos

  • Nenhum vídeo.

| mais fotos » Galeria de fotos

Áudios

  • Nenhum áudio.
 

Conheça mais histórias

mais perfis » Com a mesma Província de origem

 

 

As opiniões emitidas nesta página são de responsabilidade do participante e não refletem necessariamente a opinião da Editora Abril


 
Este projeto tem a parceria da Associação para a Comemoração do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil

Sobre o Projeto | Cadastro | Fale Conosco | Divulgação |Termo de uso | Política de privacidade | Associação | Expediente Copyright © 2007/08/09 MHIJB - Todos os direitos reservados