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Kimi Nii

São Paulo / SP - Brasil
73 anos, artista plástica

Donguri: do barro à madeira


Eu sempre fiz coisas com inspirações geométricas de formas. Mas na cerâmica tem uma limitação de tamanho, a não ser que empilhe, encaixando cada parte. Quanto maior, maior a possibilidade de rachar e quebrar. Para crescer, a cerâmica precisa de encaixes. Eu projeto módulos que se encaixam, mas de toda forma tem uma limitação. E queria fazer maior. Em todo o meu percurso [como ceramista], faço uma peça, e se a pessoa comprar, levou. De repente vejo uma outra pessoa fazer maior. É quase que gritar para ser visto... Quando fiz o Donguri de 3 metros, tive uma primeira oportunidade [a exposição Donguri, com passagens no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, e no Museu Niemeyer, em Curitiba]. Eu queria que as pessoas percebessem que faço esculturas. Acham que o artesão tem menos valor, só que ele precisa ter habilidade. No Japão o artesão é um artista.

A exposição tem movimento, porque os Donguris são de madeira e giram em torno de um eixo como o pião. Donguri, koro koro... é uma canção que ficou na minha memória de infância. A história é assim: uma avelã caiu da montanha, rolou e caiu até uma represa [donguri é o fruto da castanheira, conhecida como “bolota”, o alimento predileto dos esquilos]. A enguia fala oi, vamos brincar? Eles brincaram muito contentes por um tempo. Mas a avelã, realmente, na verdade fica com saudades da montanha mãe e dá um trabalhão... chora, chora...

Essa música me lembra a última visita a um parente no Japão, antes de eu vir para o Brasil. Era um irmão do meu avô. A família tinha várias montanhas com muitas castanhas kuri, e também muito donguri lá, a gente tomava sopa de cogumelos... É um lugar onde a luz do sol entra pelas frestas. Só se vê os donguri e o silêncio. Na exposição, a luz bem fechada foca nas peças e o visitante pode mexer, é bem lúdica, como a Obra Aberta, os bichos de Lygia Clark. Geralmente no museu se diz que não pode tocar nas obras, mas se não mexer no Donguri não tem graça. O museu do Oscar Niemeyer é um lugar turístico em Curitiba, assim como o Instituto Tomie Ohtake em São Paulo. Quem não viu aqui, vai lá.

Depoimento à jornalista Patrícia Patrício
Fotos: Chi Qo e arquivo pessoal de Kimi Nii


Enviada em: 05/03/2008 | Última modificação: 07/03/2008
 
« Jardim de afetos perfumados Valores no gesto da Arte »

 

Comentários

  1. mariana_figueiredo4@hotmail.com @ 5 Mar, 2008 : 20:30
    Parabéns! Com certeza temos que valorizar muito mais a diversificada cultura do nosso país. Seu trabalho é muiito legal. De verdade! Parabéns novamente por expor a sua história aqui.

  2. mat5 @ 7 Mar, 2008 : 13:29
    parabens

  3. Madoka Otsuka @ 29 Mar, 2008 : 09:26
    Li a história de vida, e as fotos de Kimi Nii. Dá um livro a história toda da família. Sou fã dos trabalhos dela, infelizmente só conheço através de fotos. As fotos do ateliê, no bairro do Butantã, enviadas por ela e do Chi Qo estão estupendas! Muito boas, adoreeei. Li que ela morou na mesma cidade que eu, Embu. As flores que ela plantou no jardim, me lembraram meu pai e minha avó, já falecidos, que também adoravam a helicônia, e que belo título: jardim de afetos perfumados. Pelas fotos passa a imagem de uma mulher forte, vigorosa, jovem e bonita. Parabéns Kimi Nii, adorei o seu nome e significados. Sayonara Madoka Otsuka

  4. ivantaba@hotmail.com @ 10 Abr, 2008 : 23:17
    Obrigado, por compartilhar a história da sua vida, com todos nós. Este depoimento, é um relato dos sobreviventes que sentiram o drama deste período. Ler sobre a vida de Kimi é sentir toda a sua sensibilidade que se transforma em obra de arte.

  5. Adriana Matsumoto @ 29 Ago, 2008 : 08:20
    Parabéns! Acompanho seu trabalho através das peças fotografadas para a Revista Casa Cláudia. Gostaria muito de poder comprar algumas cerâmicas para minha casa.

  6. t.sugui@hotmail.com @ 29 Ago, 2008 : 14:09
    Conheci a Kimi Nii nos anos 60, e fico contente que ela continua ainda na luta. Parabens. Tomoaki Sugui

  7. jorge @ 7 Nov, 2008 : 11:24
    muito interessante

  8. djucilene@yahoo.com.br @ 10 Nov, 2008 : 21:28
    muito interessante,seu trabalho conheci algumas pecas através de um amigo.

  9. CERAMISTAS GOSTARTA DE MANTER CONTATO COM @ 15 Ago, 2010 : 06:56
    Kimi Nii GOSTARIA SABER COMO POSSO DIVULGAR SEUS TRABALHOS E APRIMORAR MINHAS PESQUIZAS SOBRE CERAMISTAS

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