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Naomi Munakata

São Paulo / SP - Brasil
64 anos, musicista

Meu pai viu “Deus no fundo do mar”


Meus pais nasceram na ilha de Formosa, hoje Taiwan, durante a época do domínio japonês. Meu pai, inclusive, lutou pela Marinha japonesa na Segunda Guerra Mundial. Ele era muito jovem, devia ter uns 20 anos, e trabalhava em um submarino. Tanto é que uma vez ele escreveu: “Encontrei Deus no fundo do mar”. Quando a guerra acabou, ele foi para o Japão estudar teologia e acabou se tornando pastor da Igreja Protestante.

Pouco depois de se casar com a minhã mãe, ele foi enviado como missionário para Matsusaki, uma cidade praiana perto de Tóquio, onde meu irmão mais velho nasceu. Depois eles foram para Hiroshima, onde eu nasci. E, quando eu tinha 2 anos, resolveram vir para o Brasil. Meu pai havia sido convidado para ser pastor numa igreja da colônia japonesa em São Paulo. Chamava-se Igreja Sul-Americana. Nosso caso era um pouco diferente dos outros imigrantes, que vieram sem saber qual era o rumo. Nós já tínhamos até casa onde morar.

Cheguei ao Brasil em dezembro de 1957. Foram 60 dias de viagem. Viemos pela Índia e pela costa africana. Parece que foi uma viagem meio traumática, porque o navio era pequeno e balançava muito. O nome era “Chisadane”, que em japonês quer dizer “barco pequeno”. Segundo me contaram, meu pai chegou a montar um coro dentro do navio. Ele havia estudado música também, além de teologia, e no Japão ele liderava muitos grupos vocais da igreja. Em São Paulo, algumas pessoas que estavam no navio formaram um coro, e durante 15 anos meu pai regeu esse coro da colônia.

Depoimento ao jornalista Xavier Bartaburu
Fotos: Carlos Villalba e arquivo pessoal de Naomi Munakata


Enviada em: 05/03/2008 | Última modificação: 05/03/2008
 
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Comentários

  1. tatsue @ 9 Mar, 2008 : 20:03
    Naomi, adorei a sua história. Vc. é uma batalhadora, cheia de garra. Eu tbem penso como vc, a respeito do Brasil e Japão. Por coincidência, tbem sou de Hiroshima, chegamos ao Brasil em abril de l959, no mesmo navio "Chisadane".

  2. Toshio Icizuca @ 29 Abr, 2008 : 00:43
    Conheci seu pai, pastor Munakata, em 1957, quando frequentava a Igreja Sulamericana, em São Paulo. Sempre desconfiei que você era filha do pastor. Hoje, sou engenheiro aposentado e moro em Piracicaba. Sou articulista do Jornal de Piracicaba e outros jornais e revistas. Também tenho site publicado, pois meu filho é o produtor deste site.Meus parabens pelo seu trabalho à frente da sinfônica!

  3. rachel @ 30 Ago, 2008 : 21:21
    assisti você agora mesmo no Masters. Adorei vê-la expressar-se. Adoro os japoneses. Seus olhinhos pequenos , seus cabelos pretos. Tudo que fazem, fazem bem. E você não seria exceção. Você é maravilhosa. Eu sou clara, olhos azul-escuro, nascida em Florianópolis/SC, tendo morado muitos anos em Porto Alegre onde me formei, infelizmente não em música. Amo a música. Toco violão desde criança. estudei quatro anos de piano. Mas o ciolão gritou mais alto no meu coração. Vivo e transpiro musica Naomi. E gostaria de ter sido uma arranjadora. Mas, achei você. Não fique tão só como disse. Não fique com a solidão. Quem sabe, podemos unir nossos silêncios. E, por falar em silêncios, suas mãos falam. Retorne, please! rachelecc@ibest.com.br

  4. Flávio Daruz @ 30 Ago, 2008 : 21:44
    As minhas experiências, como descrevi em minha página, foram mais ou menos o inverso das suas: um brasileiro que ajaponezou um pouquinho. Ainda sim, pude me identificar muito com algumas das coisas que você escreveu. Muito legal! Um abraço.

  5. fabio @ 19 Set, 2008 : 11:10
    como dizer em japoneis so vc mora no meu coração

  6. Ivan Tadeu Couto Rojas @ 10 Jun, 2009 : 04:06
    Prezada profa. Naomi. Meu nome é Ivan Rojas, sou Mestre em Psicologia Clínica e especialista em Filosofia pela PUC-SP. Gosto muito de seu trabalho na Cultura fm. Vc tem uma grande vocação para a música sacra e sua voz e muito charmosa. Aceite meus cumprimentos. Com estima Prof. Ivan Tadeu Couto Rojas

  7. Marcos N. Salmeron @ 28 Set, 2009 : 13:43
    Fui aluno de Naomi no Conservatório Municipal de São Paulo, e me encantei com seu profissionalismo e entendimento sobre a vida e ao ensino como um todo. Acabei seguindo a carreira de médico e desisti da música, mas segue comigo os ensinamentos da minha querida professora de música. Parabéns. PS: quando dá sempre te escuto na Cultura FM. caso alguém leia, se puder, repassar meu e-mail para ela, pois gostaria de revê-la: mnsalmeron@hotmail.com

  8. Joel R de Mello @ 28 Set, 2009 : 16:38
    Naomi, estava procurando por seu irmao Kazumi que foi meu colega no primario, na saudosa escola Americana de Mirandopolis, Que saudades. Hoje sou Médico e gostaria de ter contato com Vcs. ABS Joel

  9. Joel @ 28 Set, 2009 : 16:40
    Meu e - mail joelrmello@yahoo.com.br

  10. Joel @ 28 Set, 2009 : 16:40
    Meu e - mail joelrmello@yahoo.com.br

  11. Marcos Nozomi @ 15 Out, 2009 : 09:36
    Tenho que agradecer muito os meus Pais, por ter uma irma tao maravilhosa. Te adoro muito!! do seu irmao do Japao:Marcos Nozomi

  12. Ricardo Brandão @ 22 Jul, 2010 : 05:29
    Oi Naomi, Por gentileza, como se chama o estilo de Canto Coral da música de Franz Liszt – de a Sinfonia Dante - que a Rádio Cultura FM tocou aproximadamente às 11h45 da amanhã do dia 21/07? Por favor, você poderia me passar uma lista de músicas e seus respectivos autores deste estilo de Canto Coral e onde posso encontrar cds para comprar ou músicas para baixar? E se existe algum lugar onde eu possa assistir este estilo de Canto Coral. É um estilo de canto coral e música bem suave. Parabéns pelo trabalho realizado através do Programa Vozes da rádio CULTURA FM. Aguardo retorno. Obrigado ricardobrandaosp@yahoo.com.br ricardo.souza@astrazeneca.com

  13. Kazumi @ 10 Set, 2010 : 14:38
    Ei Naomi. O seu depoimento é comovente. Legal essa história das mãos. Valeu!

  14. marina canto @ 7 Jan, 2012 : 15:38
    devemos ser colegas. meu irmão Alberto e eu tambem estudamos na escola americana de mirandopolis. um abraço

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