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  Conte sua históriaRicardo Nakata › Minha história

Ricardo Nakata

São Paulo / São Paulo - Brasil
40 anos, vendedor

Indentidade Nikkey


As vezes me pergunto se todos já passaram pelo que passei na infância.
A minha vaga lembrança não me permiti dizer se foi sofrida, hoje vejo como algo hilárico.
Sou filho de japoneses, meus pais são de Okinawa e vieram para Brasil da década de 60, são os chamados "Seinentai" ( Imigração do pós-guerra).
Desde criança tenho muito contato com a cultura japonesa, principalmente de Okinawa. Meus pais falam bem o português, mas tem o costume de misturar palavras japonesas e uchinaguchi ( dialeto de Okinawa ) nas conversas e cresci ouvindo essa palavras.
Me lembro que no primário, mais precisamente na primeira série, misturava o japonês e o uchinaguchi dentro da sala de aula, isso causava grande confusão, que a minha professora chegou a conversar com meus pais.
Meu maior problema foi durante o ginásio e colégio, as únicas pessoa que me chamavam pelo nome eram minhas professoras, já meus colegas me chamavam de "japa" . Nunca gostei de ser chamado por esse termo, mas acabei aceitando e nunca briguei com alguem por causa disso, mesmo que as vezes havia alguns que falavam num tom perjurátivo.
Na adolescência tive uma grave crise de indentidade, não sabia se era japonês ou brasileiro. Meus amigos de escola diziam que eu era japonês e não brasileiro, já minha família dizia que eu era japonês e não brasileiro, complicado né.
Com o passar do tempo comecei a compreender melhor a minha real indentidade, principalmente quando estive no Japão.
Minha família sempre dizia que todo filho de japonês deve conhecer o Japão pelo menos uma vez na vida. Ótimo conselho, pois foi no Japão que comecei a compreender melhor a mim mesmo.
Fui para o Japão com 21 anos como dekasegi. No Japão percebi que os japoneses me consideravam brasileiro, pois para ser japonês tem que falar o idioma e ter Kosseki Tohon ( certidão de nascimento japonês ). Eu não achava ruim, pois gostava de ser brasileiro. No ano de 2002 comecei a praticar aulas de inglês com uma britânica e um dia ela perguntou se eu era japonês, respondi que não, então ela perguntou de onde eram meus pais, respondi que são japoneses, ela estranhou. Ela não conseguia entender, como pode meus pais serem japoneses e eu brasileiro, ela achou que eu fosse adotado.
No Japão percebi outra curiosidade que é a diferença entre Okinawa com o resto do Japão, sempre achei que a cultura que minha família passava fosse típica japonesa, no Japão percebi a grande diferença. Até o presente momento não sabia que as diferenças de Okinawa fossem tão grande tanto na cultura, no dialeto, na alimentação e em outras coisas.
Na infância sempre aprendi que todos os Uchinanchus são irmãos, uma frase que sempre fica na minha mente é " Ichariba Muru Choode " que significa " Ao nos encontrarmos todos nós somos irmão " e " Yuimaru " que significa " Um ajuda um ao outro ", se Marx tivesse ido para Okinawa quando estava formulando a idéia socialista, com certeza, ele teria compreendido melhor o socialismo...rs.
A minha estadia no Japão ajudou muito a entender melhor as minhas origens, pois no final entendi que sou um Nikkey brasileiro, gosto da cultura japonesa, principlamente de Okinawa. Hoje em dia até gosto que me chamem de japonês, se me chamarem de Uchinanchu melhor ainda...rs.
Eu me comunico com outras comunidades Nikkey ao redor do mundo e fico feliz que os descêndentes destes países preservam a cultura japonesa, como também, a sua cultura local.


Enviada em: 22/10/2007 | Última modificação: 23/10/2007
 
Centenário da Imigração Okinawa de Cuba »

 

Comentários

  1. erika_montoro@hotmail.com @ 25 Out, 2007 : 13:27
    Olá,Ricardo! Também estou participando desta comunidade, e tive a oportunidade de ler o seu texto "Identidade Nikkei". Acabei me identificando muito com as suas colocações, principalmente quando vc fala em ser "brasileiro ou japonês", eu também sentia isso na minha adolescência...Casei-me com um mestiço de espanhol, índio, baiano (que é a descendência do meu marido)e também fui ser dekassegui, só então acabei entendendo, assim como vários outros parentes e amigos, que somos nikkeis brasileiros e que amamos a cultura de nossos ancentrais...

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