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Conte sua história › Daniela Tibana › Minha história

Meus avós (maternos e paternos) vieram de Okinawa (Yonabaru e Guinowan), mas quase não tive contato com eles. Morreram cedo. Conheci apenas meu avô paterno e, mesmo assim, lembro pouca coisa. Minha maior lembrança dele é que sempre que saía me trazia um pacotinho de doces. Sei também que foi o primeiro tintureiro aqui de Campo Grande(MS). Gostaria muito de ter tido mais contato com meus avós, ter ouvido suas histórias, de ter conhecido mais sobre suas vidas.
Na época da Segunda Guerra, quando os livros em japonês foram proibidos no Brasil, meu avô materno foi preso. Ele estava tentando jogar uns livros fora, mas mesmo assim o levaram. Minha avó, minha mãe e meus tios (10 ao todo) dormiam embaixo de uma mangueira com medo de a polícia colocar fogo na casa.
Nem meu pai ou minha mãe aprenderam a falar bem o nihhongo, mas conviviam com algumas expressões do dialeto de Okinawa (uchinaguchi).
Quando criança, estudei em uma escola construída pelos imigrantes aqui da cidade.Havia muitos descendentes, mas pouco contato com a língua. Sabia fazer origami (que faço atá hoje) e sabia que tinha de acender incenso no butsudan todo dia. Todo ano participava do Undokai (coisa que não faço mais, já que se correr até a esquina, eu morro!)e só depois de crescida comecei a ir ao Bon Odori (coisa que ainda faço, já que não requer tanto esforço físico! hehehe).
Comecei a aprender nihhongo por vergonha mesmo. Ouvia as pessoas falando, olhava aqueles mangás e me sentia uma completa analfabeta. Pior quando vinha falar em japonês comigo...era o fim! Vocês não imaginam a minha felicidade quando consegui ler ´haha no hi´ em kanji no placo de uma festa do dia das mães! Enfim, consegui até fazer o Nouryoku Shiken. Tudo bem que é o 4kyu ainda...mas já é alguma coisa!
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Este projeto tem a parceria da Associação para a Comemoração do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil