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Monja Coen/ Cláudia de Souza

São Paulo / São Paulo - Brasil
73 anos, monja

Uma ponte entre Brasil e Japão


Fiquei seis anos cuidando do templo-sede da Liberdade, até 2001. E, quando eu saí, uma das coisas que achei importante era não dividir a comunidade. Seria muito fácil eu dar o endereço novo para as famílias que me pediam missa. Mas eu não fiz isso, porque não achei que era correto. Desde que eu saí, eu tenho um grupo que me segue. Tem alguns japoneses, mas são poucos. A maioria é de não-japoneses. E eles alugam esta sede aqui no Pacaembu, em São Paulo, desde o ano passado.

Eu falo que é um bonsai de templo, coitadinho. Na nossa sala de Buda cabem umas vinte, trinta pessoas. Se fosse no Japão, seria uma sala para duzentas pessoas. Mas fazemos tudo aqui: liturgias, meditação, leitura de textos de mestre Dogen. Fazemos todas as preces como se fosse um mosteiro. É uma comunidade jovem, uma comunidade que está nascendo.

De tudo que eu aprendi no Japão, o que eu achei mais importante de trazer para o Brasil foi o kokoro. Eu acho que nós precisamos mudar um pouquinho esse “eu em primeiro lugar”. Por que o Japão no Pós-Guerra cresce tanto? Porque é “nós”. Nós como povo, nós como nação. E não “eu, indivíduo”. No Japão, eu sou tão bom quanto a minha nação for. Então eu tenho que fazer com que meu país seja um grande país. Eu sou tão bom quanto a empresa onde eu trabalho. Se eu falo mal da empresa onde eu trabalho, então eu sou uma porcaria, né? Isso é típico da educação japonesa.

Eu acho que eu sou uma ponte. Nós fazemos as pontes, mas nós também somos as próprias pontes. A minha superiora no mosteiro sempre dizia: “Às vezes, mais do que ponte, a gente tem que ser barqueiro”. Cabe a nós, às vezes, mostrar que existe uma outra maneira de ser e que é possível ser dessa outra maneira sem perder coisas suas. Como eu, que sou de uma família portuguesa aqui no Brasil e vou encontrar essa afinidade tão grande com a cultura japonesa, esse amor profundo que hoje eu tenho pelo Japão. Eu tenho um pouquinho do Japão dentro de mim.

Depoimento ao jornalista Xavier Bartaburu
Fotos: Carlos Villalba e arquivo pessoal da Monja Coen


Enviada em: 04/06/2008 | Última modificação: 05/06/2008
 
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Comentários

  1. Teruco Araki Kamitsuji @ 6 Jun, 2008 : 10:41
    Párabéns pela reportagem. O meu sogro pertence a essa seita religiosa e foi ele que me fez ter o primeiro contato. Hoje eles, minha sogra e ele, são falecidos, mas as missas realizamos no templo da Liberdade. Muito interessante a sua trajetória. Admirei a sua fibra!! Parabéns por ser mulher!! Admirável a sua postura. Gostaria de conhecer o seu templo. Abraços carinhosos Teruco

  2. LUIZ S. ISHIBE @ 8 Jun, 2008 : 10:31
    Conheço bem a trajetoria da monja Coen, alias Coen em japones significa jardim. Sua grande qualidade e exemplo é conhecido pela renuncia a prazeres material . Congratulation...

  3. Alessandra Azambuja @ 18 Jul, 2008 : 21:52
    Fico realmente emocionada ao ler esta história,afinal como ocidental também demorei para conhecer este país mas o conheci através da Culinária. Tenho aprendido muito com este país, e tive o prazer de visitá-lo! Aprender com ele que andar lado a lado, no compasso leva adiante, admiro a cultura, a estetica e principalmente a educação japonesa e por isso, valem sempre mestres!!! Vou conhecê-la!

  4. Flávio Daruz @ 29 Ago, 2008 : 16:54
    Muito curiosa a sua história, que tive o prazer de ler hoje. Eu também gosto da cultura japonesa e, como descrevi em minha página, passei por algumas experiências similares. Nunca, porém, teria a coragem de enfrentar a vida de um monastério. Que bom que, sendo seu caminho tão incomum, você tenha tido a sorte de esbarrar nele. Um grande abraço.

  5. budista @ 10 Out, 2008 : 01:26
    revista veja faz entrevista com éla

  6. amarelo japa @ 26 Out, 2008 : 13:52
    qual a hsitoria do budismo no BR?

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