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Monja Coen/ Cláudia de Souza

São Paulo / São Paulo - Brasil
73 anos, monja

O zen-budismo no Brasil


O zen-budismo entrou no Brasil com os primeiros imigrantes japoneses. Essa primeira geração é toda budista e xintoísta. E eles trazem seus altares familiares. Todo budista tem seu altar familiar com os tabletes memoriais onde estão escritos os nomes dos parentes ou da família. Oficialmente, não vieram monges. Era proibida a imigração de religiosos não-cristãos. Eles entravam como agricultores. E o budismo era feito escondido. Ainda mais na época da guerra, quando era proibido até falar japonês.

Com a segunda geração, começou o choque cultural entre os valores dos pais e os valores das outras crianças na escola. Se os amiguinhos vão todos para a Igreja, os filhos dos japoneses vão junto. E como eles faziam para se tornar amigos dos não-japoneses? Viravam católicos. Punham as crianças para serem batizadas, e escolhiam padrinhos e madrinhas de fora de colônia. Com isso, eles esperavam ser aceitos.

No interior, por exemplo, faziam cruzes. Nos túmulos do Japão, se põe uma coisa chamada toba, que é um pedaço de madeira que simboliza os vários elementos da natureza, onde se escreve o nome do morto. Isso foi trocado no interior de São Paulo por uma cruz. E por que isso tudo acontece? Porque o povo japonês é muito de harmonizar-se com os outros. Eles não querem ser diferentes dos outros.

O templo zen lá na Liberdade existe desde 1956. Nosso primeiro superior foi o reverendo Shingu, que foi também quem começou a abrir o zazen para não-japoneses ali. Só que tinha um detalhe: na época, estrangeiros não podiam entrar na sala de Buda, só na sala de zazen, que era no subsolo. Então surgiu Ricardo Mário Gonçalves, que foi o primeiro monge brasileiro. É ele quem começou a traduzir as palavras do reverendo Shingu para o português, foi o primeiro a fazer a ponte entre Brasil e Japão no zen-budismo.

Depois veio o monge Tokuda Igarashi, que fortaleceu essa ponte. Ele veio do Japão com o reverendo Shingu e depois começou a abrir centros e mosteiros zen-budistas pelo Brasil todo: no Rio Grande do Sul, em Brasília, em Salvador, Minas Gerais. Foi Tokuda Sensei quem espalhou o zen-budismo pelo Brasil. Ele é muito importante.

O que acontece com o budismo é que nós não temos a idéia de evangelização, como existe em outras religiões. Essa casa que a gente tem aqui somos nós, brasileiros, que alugamos. Nossa sede no Japão não manda dinheiro. E é riquíssima. Eles acham bom que haja interesse pelo zen-budismo no Brasil. Mas, se não houver, também não tem importância. Não existe investimento no Brasil. Eles esperam que a maior parte do trabalho seja feita por aqui.

Depoimento ao jornalista Xavier Bartaburu
Fotos: Carlos Villalba e arquivo pessoal da Monja Coen


Enviada em: 04/06/2008 | Última modificação: 05/06/2008
 
« Uma ponte entre Brasil e Japão De volta à terra natal »

 

Comentários

  1. Teruco Araki Kamitsuji @ 6 Jun, 2008 : 10:41
    Párabéns pela reportagem. O meu sogro pertence a essa seita religiosa e foi ele que me fez ter o primeiro contato. Hoje eles, minha sogra e ele, são falecidos, mas as missas realizamos no templo da Liberdade. Muito interessante a sua trajetória. Admirei a sua fibra!! Parabéns por ser mulher!! Admirável a sua postura. Gostaria de conhecer o seu templo. Abraços carinhosos Teruco

  2. LUIZ S. ISHIBE @ 8 Jun, 2008 : 10:31
    Conheço bem a trajetoria da monja Coen, alias Coen em japones significa jardim. Sua grande qualidade e exemplo é conhecido pela renuncia a prazeres material . Congratulation...

  3. Alessandra Azambuja @ 18 Jul, 2008 : 21:52
    Fico realmente emocionada ao ler esta história,afinal como ocidental também demorei para conhecer este país mas o conheci através da Culinária. Tenho aprendido muito com este país, e tive o prazer de visitá-lo! Aprender com ele que andar lado a lado, no compasso leva adiante, admiro a cultura, a estetica e principalmente a educação japonesa e por isso, valem sempre mestres!!! Vou conhecê-la!

  4. Flávio Daruz @ 29 Ago, 2008 : 16:54
    Muito curiosa a sua história, que tive o prazer de ler hoje. Eu também gosto da cultura japonesa e, como descrevi em minha página, passei por algumas experiências similares. Nunca, porém, teria a coragem de enfrentar a vida de um monastério. Que bom que, sendo seu caminho tão incomum, você tenha tido a sorte de esbarrar nele. Um grande abraço.

  5. budista @ 10 Out, 2008 : 01:26
    revista veja faz entrevista com éla

  6. amarelo japa @ 26 Out, 2008 : 13:52
    qual a hsitoria do budismo no BR?

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Este projeto tem a parceria da Associação para a Comemoração do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil

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