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  Conte sua históriaSamantha Shiraishi › Minha história

Samantha Shiraishi

São Paulo / SP - Brasil
48 anos, jornalista

Preconceitos


Estava lendo agora um relato sobre ser negro e de classe média no Brasil (http://30ealguns.com.br/?p=814) e acabei lembrando de alguns preconceitos que os japoneses e seus familiares viveram aqui nestes 100 anos.

PROIBIÇÃO DAS COMPANHIAS DE IMIGRAÇÃO NO PARANÁ
Pouca gente sabe, mas no Paraná, onde nasci, há uma história de racismo contra os japoneses (e orientais no geral). Soube quando entrevistei Cladio Seto e Maria Helena Uyeda no lançamento do livro Ayumi, Caminhos Percorridos, um levantamento de todas as familias nikkeis que se estabaleceram no Estado até a década de 1950.
O governo da província optou por proibir a contratação de mão-de-obra japonesa quando as companhias de imigração chegaram ao Brasil no início do século XX porque consideravam que os japoneses eram nocivos porque se fechavam entre si e porque sua cor e tamanho não ajudavam no projeto de melhoramento genético da população da província do Paraná (à época recém separada de São Paulo). Os primeiros japoneses chegaram à região de Curitiba e posteriormente do Norte do Paraná a partir da década de 1930 já como proprietários de terras.

A IDENTIFICAÇÃO DAS CRIANÇAS
Quando criança eu sonhava com bonecas com cara de japonesinha ou com pele mais amarelada como a minha, com cabelos negros (não tinha, eram louras ou no máximo Susis de cabelos castanhos). Nem imaginava que chegaríamos às Puccas que agradam tanto as meninas japonesinhas (e outras tb) hoje em dia. E quando criança eu sofria preconceito na colônia por ser mestiça - e ainda sofro, sempre, por incrível que possa parecer!

AVIS RARA
Meu pai conta uma história de quando mudou para Porto Alegre, RS, em 1968, para assumir a subgerência do Banestado. Como não era nada comum orientais por lá, algumas pessoas iam ao banco para vê-lo e tinham a coragem de pedir para ele se podiam mostrá-lo para os filhos, chegando ao cúmulo de tirar foto (naquela época) para mostrar que tinham visto um japonês ao vivo. Ele fazia piada, dizendo que ia cobrar o ingresso, mas no fundo sempre contou esta história com certa tristeza.

SER MESTIÇA
Como minha mãe é descendente de alemães e nós saímos mestiços bem moreninhos, passei a infância sendo barrada em lojas e clubes quando estava com ela. Na adolescência chegamos a ouvir comentários maldosos quando andava de mãos dadas com ela na rua… pode? Pode, no Brasil tudo pode, as pessoas estão tão preocupadas com aparência e com a vida dos outros que se dedicam a pré-julgar a vida alheia o tempo todo. É um esporte nacional.


Enviada em: 01/02/2008 | Última modificação: 01/02/2008
 
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Comentários

  1. Sílvio Sano @ 3 Jan, 2008 : 12:43
    O que se percebe aqui é que Sam, como gosta de ser chamada, muito simpática, por sinal (talvez uma das razões de eu ter me abdicado do Sam para retomar o Sano – rsrs), cumpre bem uma das causas que abraçou em prol dos dekasseguis, não apenas com informações trabalhistas, como também com reflexões sobre posturas cidadãs. A outra, a da mãe em prol da educação dos filhos não aparece tanto aqui, de forma justificada, mas quem a conhece sabe de sua dedicação, e com muito carinho, a essa causa, com a qual convive no dia-a-dia. Confira: http://samanthashiraishi.wordpress.com. Mas eu, que sou muito curioso sobre o tema que é escopo deste site, quero ler mais sobre o ditian Sadanori e suas aventuras pelo Mato Grosso, até por sua pouca idade quando veio ao Brasil (estaria completando a cota de alguma outra família, ou da própria?) e, bem como sobre sua relação (Sam) com os pais, tios e até avós de outras formações culturais diferentes, privilégio, aliás, que este país, de mais de 60 nacionalidades imigrantes, possibilita.

  2. Fátima Franco @ 8 Jan, 2008 : 14:47
    Oi, Samantha: estou elaborando um post sobre o Centenário e foi muito bom te encontrar aqui. Suas informações são ótimas e aí é que a gente descobre que desconhece taaaanto sobre o assunto. Abs

  3. Sam @ 9 Jan, 2008 : 13:12
    Silvio, que gentil comentário. Um gentleman, como sempre. Sim, estou devendo um texto sobre o Ditian Sadanori. Ele veio para cumprir uma cota, mas não vou contar, a história é boa e vale um texto especial. Minha relação com os tios (7 do lado paterno) e primos (perdi a conta de quantos são, pois os filhos dos primos é que são da minha idade, mas vou contar e fazer um texto sobre eles tb) é de aglutinadora, mantenho um blog privado onde postamos fotos uns dos outros para nos mantermos informados sobre o que se passa, chama-se Álbum de fotos da Batian Matsuno (Sutou) Shiraishi. Uma idéia que muitas familias poderiam adotar, pois tem nos aproximado, inclusive as gerações mais novas e distantes (filhos e netos de primos). Agradeço sua gentileza em escrever aqui e me provocar a lembrar de tantos temas. Abraços Sam

  4. Sam @ 9 Jan, 2008 : 13:13
    Fátima, que coisa boa encontrá-la aqui também! Assim que fizer seu texto me avise, quero ler. Abraços Sam

  5. Yassuda Renato @ 9 Jan, 2008 : 17:26
    Prezada Samantha; Admirei suas histórias e relatos. Por coincidência, além de ter um ancestral da mesma provincia dos seuss,também tenho uma prima filha de pai descendente de japones com mãe descendente de alemão, mas ela nasceu em Londrina-PR e hoje é médica no Rio de Janeiro. Gostaria que você pudesse ler minha história de vida também. Ficaria muito honrado. Obrigado.

  6. abilio @ 18 Jan, 2008 : 18:47
    verdadeira historia imin 100 esta nesse site www.imigracaojaponesa.com.br

  7. Caroline Yamaoka Hoffmeister @ 3 Fev, 2008 : 18:40
    Samantha... achei lindos seus textos e sua historia de vida... também sou decendente de japonês e alemão, mas no meu caso, meu pai é alemão... e olha só...também do Paraná heheh... um abração...espero ler mais coisas sobre você!

  8. Emanuelly Pereira de Andrade Paes @ 18 Jun, 2008 : 18:10
    Tikara e Keika,são japoneses,mas a Keika não parece ser, ela brasileira ou é japonesa mesmo?Mas também eu queria saber que dia que eles aparecerão nos gibis da turma da mônica?

  9. Toyoyuki Kaya @ 17 Jun, 2010 : 12:59
    Samantha, li atentamente a sua história, bem como da sua família. Muito legal! Constatei que fui colega do seu pai no Banestado em Curitiba. Gostaria de manter contato com êle. O meu e-mail: Toykaya@gmail.com Também, escrevi algumas coisas contando a minha história nessas páginas. Abraços.

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Este projeto tem a parceria da Associação para a Comemoração do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil

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