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  Conte sua históriaJúlio Miyazawa › Minha história

Júlio Miyazawa

Monte Alto / São Paulo - Brasil
72 anos, Contabilista

SEM A SUA HISTÓRIA A MINHA...


Tinha um sonho.Quando chegamos à idade da razão, por volta de uns trinta anos de idade, um pouco antes para um, um pouco depois para outro ou outra irmã, achamos que tinhamos algo a dividir com os demais companheiros dessa longa travessia que foi ser nissei e não conseguir decifrar o inigma: afinal, sou brasileiro, ou sou japonês?
Durante um longo tempo da juventude, tentamos virar brasileiros, arregalando os olhos. Mas não dava certo. Continuavam nos chamando de japonês, nos mandando voltar para a nossa terra!
Como voltar para a nossa terra? Se a nossa terra era aqui, o Brasil? Sofremos muito tentando virar brasileiros, perdemos nossas origens e personalidade. Afirmamos uma outra, dificil de sustentar, mas o possível...
Nós sabiamos (éramos nove...) que outros nisseis também passaram pelo mesmo conflito, cada um tateando no meio de nós, procurando o seu caminho. Resolvi escrever um livro para relatar a nossa vivência. Mas, escrever para quê? Quem se interessaria? Como chegar nas pessoas com as quais gostariamos de dividir nossas experiências, sonhos e frustrações... Em 1.978, escrevi. Mas não publiquei.
Só nos anos 2.000, ao se falar do centenário da imigração japonesa me dei conta de que era necessário desengavetar o manuscrito e colocar no meio de todas as histórias e estórias, a minha. Tive que atualizar algumas coisas que já não tinham importância, trinta anos depois.
Foi assim que publiquei, com o dinheiro dos meus filhos dekasseguis, o livro YAWARA! A Travessia Nihondin Brasil. E fui desfiando tudo que passou pela minha mente nesses tantos anos em que pensava: Ah! Se eu pudesse falar. Ao lançar o livro, tomei conhecimento de coisas novas acontecendo. Fiquei sabendo do trabalho da coreógrafa Letícia Sekito e corri para ver. Era isso que eu queria dizer. Estava alí, em uma apurada e maravilhosa coreografia, a minha história, a sua.
Depois fiquei sabendo de um grupo de teatro, sobre o qual falarei um dia. E fiquei sabendo de gente do Paraná, de Pernambuco! Nossa!
Tinha matéria para uns quatro livros. Ao tomar conhecimento deste site, de repente me senti cansado. Tinha isso na cabeça. Registrei o site Nihondin.com.br com a idéia de fazer algo assim. Algo tão mostruoso porque eu precisava, queria, desejava, esperava, JUNTAR A MINHA HISTÓRIA COM A DE OUTROS E OUTRAS COMPANHEIROS E COMPANHEIRAS DESSA TRAVESSIA, ISSEI, NISSEI, SANSEI...SÓ ASSIM, JUNTANDO A MINHA HISTÓRIA ÀS DEMAIS POSSO DIZER QUE HÁ...UMA HISTÓRIA.
ABRAÇOS. JÚLIO MIYAZAWA - 26/02/2008


Enviada em: 26/02/2008 | Última modificação: 26/02/2008
 

 

Comentários

  1. Thiago Higa @ 1 Mar, 2008 : 04:02
    Bom, eu tive a grande chance de conhecer o autor Júlio Miyazawa graças ao meu tio, Osvaldo Higa, que colaborou com o projeto do livro "Yawara! A Travessia Nihondin-Brasil". Alguns dias antes do lançamento deste livro, tive acesso à alguns parágrafos marcantes, coisas que muitos nipo-brasileiros não tinham a coragem de reportar como a violência étnica (leia-se racismo explícito) que os imigrantes e toda sua geração sofreu (ainda sofremos de vez em quando...), tanto que não podia ver a hora de ler esta obra prima, que já considero um clássico. Espero que, neste ano, o Centenário da Imigração Japonesa seja realizado com o mesmo carinho e atenção com que foi escrito o livro de Júlio Miyazawa. Levantando questões tão importantes para nossa história, como a imigração, e para os processos sociais que ainda enfrentamos, como o racismo, sem deixar de ver o que nós, nikkeis, contribuímos em todos os campos do fazer e do pensar humano, para este país de onde nascemos e fomos criados, o Brasil.

  2. Paulo Moriassu Hijo @ 1 Mar, 2008 : 11:28
    Júlio, Li o seu livro, apesar de romanceado, mostra de uma forma real o quanto muitos de nós sofremos descriminação até a década de 70. Tavez, devido a participação do Japão na Segunda Grande Guerra. Lembro dos filmes americanos de guerra, nos quais os japoneses eram apresentados como o inimigo de todo o mundo, quando não como traiçoeiros e vingativos. Mas, a partir de de 70, os nisseis e sanseis começaram a se tornar profissionais graduados em faculdades, e dos bons. Políticos nisseis também começaram a surgir. Algumas famílias já acumulavam grandes riquezas. Os costumes, cultura, artes e culinárias japoneses começaram a ser respeitados. Daí, a sermos respeitados foi um pulinho só. Não deixe nunca de escrever a memória das primeiras gerações de japoneses.

  3. Kelly Nagaoka @ 24 Mar, 2008 : 23:01
    Oi Júlio! Gostaria de parabenizá-lo pela iniciativa de escrever um livro tão belo. Muito obrigada pela dica de anotar tudo. Torço para que a família Miyazawa se reúna o quanto antes para relembrar o companheiro Sérgio e colocar os primos e tios em contato novamente. Saudades dos bons tempos em família. Abraços

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Este projeto tem a parceria da Associação para a Comemoração do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil

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