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  Conte sua históriaRoberto Shinyashiki › Minha história

Roberto Shinyashiki

São Paulo / SP - Brasil
68 anos, psiquiatra e escritor

Os avós, o Tio Gordo e o Tio Magro


Meus avós, Suegiro e Kayer Shinyashiki, eram de Kagoshima. O irmão da minha avó, que a gente chamava de Tio Gordo, era um rapaz muito empreendedor e sonhava em vir para o Brasil. Como ele era menor de idade, só poderia vir se fosse acompanhado de um adulto. Então ele convenceu minha avó a vir para cá. Meu outro tio, o Tio Magro, não podia viajar junto porque ainda era criança. Ele acabou vindo mais tarde, como trabalhador em um navio. Na viagem do Japão para o Brasil, meus avós se conheceram e começaram a namorar.

Meu avô era carpinteiro e começou a exercer sua profissão em Santos (SP). O Tio Gordo foi tentar a vida na lavoura. Comprou um sítio em Embu-Guaçu (SP), perto de São Paulo. Quando eu era criança, a gente pegava um trem em Santos e ia para Embu-Guaçu visitar meus tios. O sítio do Tio Magro, especialmente, tinha carpas lindíssimas e um jardim bem no estilo japonês.

Suegiro morreu jovem, com aproximadamente 40 anos. Sobrou para a minha avó a educação dos filhos. Kayer tinha uma personalidade muito forte. Muita gente diz que o homem japonês manda na família, mas minha lembrança é de conhecer mulheres japonesas aparentemente passivas, mas com articulação política impressionante, como era o caso da minha avó (ouça mais detalhes sobre esta história no áudio ao lado).

Minha avó fazia questão que todos nós estudássemos o idioma japonês e que os costumes japoneses prevalecessem. Isso causou um conflito na família, porque minha mãe era brasileira e minha avó queria que meu pai se casasse com uma descendente de japoneses. Meu pai só se desvinculou um pouco da família quando eu fiz sete anos, época em que nos mudamos daquele local.

Durante muito tempo eu fiquei no meio do caminho: para os brasileiros eu era japonês, não era um “da turma”, mas, como sou mestiço, para os japoneses eu era brasileiro. Tive que administrar esse conflito (saiba como Shinyashiki enfrentou o preconceito durante a sua infância no vídeo ao lado).

Depoimento à jornalista Juliana Almeida
Fotos: Carlos Villalba e arquivo pessoal de Roberto Shinyashiki
Vídeos e áudios: Estilingue Filmes


Enviada em: 05/03/2008 | Última modificação: 05/03/2008
 
« Futebol em família

 

Comentários

  1. Renato Yassuda @ 5 Mar, 2008 : 15:44
    Prezado Roberto; Foi um grande prazer ler seus depoimentos e assistir aos videos. Me identifiquei muito com fatos por você relatado. O mais estranho é que, como você, sou mestiço e minha aparência lembra muito superficialmente minha descêndencia de japoneses; no entanto sempre era chamado de o japonês pelos colegas. Para meu azar no entanto, sou péssimo no futebol e a ao contrário de você, além de ouvir o xingamento ainda fazia o time perder. Também tenho alguns textos escritos no meu perfil, os quais ficarei muito honrado se você puder ler e me enviar sua opinião. À propósito, em 2006 fiz um curso de MBA onde seu irmão Gilberto foi em dos professores. Grande pessoa e um ótimo amigo para tomar uma cerveja após as aulas. Um grande abraço para você e o Gilberto. Sucesso e saúde à todos. Atenciosamente; Renato Yassuda.

  2. Taro Shizuno @ 6 Mar, 2008 : 16:53
    Bem interessante a sua história Shinyashiki, sou apreciador dos seus livros. Parabéns.

  3. yagami raito @ 29 Mar, 2008 : 23:24
    eu li aquele seu livro "segredo dos campeões" . um bom livro aliás .

  4. adolfo borges @ 12 Ago, 2008 : 20:14
    PARABENS,ADORO SEUS LIVROS FIQUEI FELIZ EM SABER SUA HISTORIA D VIDA.DR:ROBERTO ESTOU A MUITO TEMPO LENDO SEUS LIVROS,E DE OUTROS,AUGUSTO CURY,OG.MANDINO E OUTROS...SOU REPRES.COMERCIAL MAS NAO CONSIGO DECOLAR SERA PORQUE?O SR PODE ME AJUDAR?GRATO.

  5. Maria Lucia Vilela @ 7 Set, 2008 : 16:39
    Onde conseguir o endereço e telefone do Dr. Roberto. Estou precisando urgente.O Dr. Roberto atende pacientes na área de psiquiatria? Obrigada Maria LucIa Vilela Santa Rita do Sapucaí - MG e-mail para resposta: mariluv@terra.com.br

  6. japa pobre @ 25 Set, 2008 : 02:34
    sou fã dele

  7. Juliana @ 12 Nov, 2008 : 12:53
    Tbém gostaria de saber se o Roberto atende pacientes na área de psiquiatria. Tentei contato através de outros sites mas nunca obtive respostas. Grata Juliana e-mail jmkameda@hotmail.com

  8. Vívian @ 12 Mai, 2009 : 20:39
    Olá Sr.Roberto!Somente hoje fui ler mais um pouco de sua história e além de seus livros amo a cultura japonesa e tiro muitas lições dela para a minha vida e meu desenvolvimento. Meu trabalho de TCC foi sobre CULTURA, LONGEVIDADE E REMINISCÊNCIAS DOS IDOSO DE OKINAWA RESIDENTES NA CIDADE DE ITARIRI-SP (Cidade onde moro) e creio que foi o melhor trabalho que fiz em toda a minha vida, pois conhecemos os japoneses mas não a sua história e acho muito importante preservar e passar adiante. Por que o sr não faz um livro a respeito??? Gostaria muito que o sr pudesse ler meu trabalho e as reminiscência de 3 idosos que entrevistei, sendo 1 de 99 anos, outra de 97 e mais um de 88, que hoje um já passa do centenário. Obrigada e um grande abraço. vivigiglio@yahoo.com.br

  9. Zizi Caldara @ 8 Ago, 2010 : 07:29
    Olá Beto, lembrei de você, pois já nos conhecemos atravez do seu irmão China que foi casado com uma amiga minha até hoje, mãe das lindonas Vanessa e Ana. mas o que me remeteu a voce foi o fato de ter conhecido seu pai Sr. Paulo, que era muito estimado por minha mãe Itsue Hirose, e em 1952 meu irmão Decio trabalhava na Farmácia que seu pai tinha na Praça 1º de Maio em São Vicente; tinha eu então 7 anos gostava de ir ver meu irmão nesta loja. maravilhosos tempos... Parabens por você ser a pessoa que és. Sucesso sempre . Abs. Zizi

  10. edison.bf@ig.com.br @ 8 Ago, 2010 : 11:40
    A data a que se refere a diplomação do Roberto,onde aparece d.Hilda(nossa professora)deve estar errada se não ele teria se formado no curso primario com 4 ou 5 anos.obrigado

  11. edison.bf@ig.com.br @ 8 Ago, 2010 : 11:50
    A famarcia sta.marta,rua duque de caxias,prof.hirano (judo)da r.euclides da cunha,desculpe mas são lembranças do tempo do "Olavo Bilac"

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