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Daniel Jun Hashimoto

Kanagawa-ken / Yokohama-Shi - Japão
42 anos, acupunturista

Acupuntura: O concretizar de um sonho


"Apesar de haver muitas escolas destinadas ao ensino de brasileiros no Japão, ainda é raro se deparar com dekasseguis nos bancos de ensino superior ou cursos tecnológicos.

E eu sonhava em integrar esta minoria. Apesar da cordialidade típica do japonês, a presença de estrangeiros que emigram para esta Terra do Sol Nascente como mão-de-obra barata ainda é vista com ressalvas. Preconceito existe, o grandioso é driblá-lo, vencê-lo. E isso em qualquer lugar, seja em sua própria nação ou em um novo país.

Uma das grandes barreiras enfrentadas pelos nipo-brasileiros ao sonharem com o ensino superior no Japão é que, enquanto no Brasil a educação obrigatória é formada por uma grade de 11 anos, no país oriental, são necessários 12 anos para completar este ciclo. E esse único ano que falta pode levar dois, três, quatro anos, já que o candidato estrangeiro é obrigado a aprender um nível gramatical e lingüístico muito mais culto e erudito, conhecer literatura, história e geografia tão bem como qualquer aluno nativo deste arquipélago.

No meu caso, foram três anos percorridos até ser aceito. Cada dia era
uma nova esperança, mas muitas noites foram de escuridão. Muitas horas de incerteza e lampejos de alegria. A cada manhã, eu chegava no balcão da Kuretake Shinkyu Jusei Senmon Gakkou, reconhecida como a melhor escola de ensino de acupuntura da cidade de Yokohama, segunda maior cidade do Japão em termos de densidade demográfica localizada na província de Kanagawa.

Aprovado no exame de entrada e com os documentos necessários em ordem, lá se vão mais três longos anos. Agora, as palavras eram técnicas, havia estágios obrigatórios em clínicas e hospitais. Cada dia era um escalar entre o céu e inferno de Dante Aliguieri. Porém, como as mais belas estrofes presentes na obra “A Divina Comédia”, vi minhas mãos agarrarem uma oportunidade de sabedoria e aprendizado para elevar-se em um novo mundo.

Hoje, já estou formado e clinicando. O meu sonho de riqueza se manteve. No entanto, ao invés de dinheiro poupado em uma conta bancária, meu capital floresceu e se tornou conhecimento. Um bem que hoje busco compartilhar com meus pacientes brasileiros e japoneses".

DEPOIMENTO À JORNALISTA JULIANA KIYOMURA


Enviada em: 17/09/2008 | Última modificação: 17/09/2008
 
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Comentários

  1. Erica M. Otani @ 18 Set, 2008 : 06:28
    Parabens Jun!! A sua historia eh um exemplo unico de obtividade, determinacao e criterio de vida que se transformou em uma pagina do processo centenario da Imigracacao Japonesa! Assim como nossas historias, deixemos preciosas herancas aos nossos descendentes e a este mundo, assim como nossos ascendentes nos deixaram, fazendo de cada exemplo referencias para o nosso auto desenvolvimento! Vamos todos dar continuidade a este eterno ciclo de forma mais consciente e satisfatoria(^o<)"! E a Historia se repete...

  2. Erika Missae Matui @ 18 Set, 2008 : 06:48
    Ola, Jun! Gostaria de deixar registrado os meus Parabens! Pela sua coragem e perseveranca! Acredito que muitos de nossos conterraneos tenham algum tipo de sonho la no fundo da gaveta, que por um motivo ou outro acabou sendo esquecido..., e exemplos como o seu com certeza deve servir de inspiracao para alguns! A partir de agora ha um longo caminho pela frente..., e estarei torcendo para que o aprendizado continue, e que voce esteja sempre receptivo a ele! um grande abraco

  3. Enio @ 18 Set, 2008 : 08:47
    Parabéns pela matéria, Juli! Isso ajuda a mostrar que é importante acreditar nos sonhos e que, ao perseguí-los, podemos ter surpresas que acabam se transformando em outros sonhos...

  4. Kiko @ 18 Set, 2008 : 13:22
    Parabéns! O mais interessante do depoimento é a transformação que nos ocorre ao entrar em contato com outras pessoas, outras culturas. Há quem passe a vida num país ou num lugar sem querer viver mais do que já vive, sem querer mudar o que se é. Este depoimento mostra quão proveitoso pode ser mudarmos nossa percepção de como podemos agir no mundo e até onde podemos chegar! Do chão-de-fábrica a uma clínica, é uma bela trajetória, realmente!

  5. wilma mieko @ 18 Set, 2008 : 20:58
    Parabéns para Juliana pela excelente matéria, e parabéns para Jun, pela sua conquista merecida, um exemplo para muitos!

  6. Aimee @ 23 Set, 2008 : 15:54
    É incrível como, com persistência, se vai tão longe. Jun se mostra como um exemplo para os demais dekasseguis e também o texto é muito poético. É muito bacana esta iniciativa da Editora Abril e de seus jornalistas.

  7. Maristela @ 23 Set, 2008 : 16:16
    Admiro mudanças...Parabéns Jun, pela sua coragem de MUDAR! Jú, seu texto impecável...sem comentários!

  8. Tiemi @ 25 Set, 2008 : 20:52
    Juliana parabéns pela matéria!Continue batalhando sempre pelos seus objetivos e escrevendo brilhantes matérias. Jun parabéns pelo seu sonho conquistado!Que você vença todos os obstáculos impostos e que continue crescendo cada vez mais.

  9. Chodi Maruyama @ 2 Dez, 2008 : 21:47
    Olá Jun, então,foi muito bom o tempo q praticamos shiatsu e reflexologia e me alegro saber que realizaste um sonho, parabéns. Hoje estou terminando o curso de Fisioterapia aqui no Brasil e está aberto o convite de você voltar para a tua Terra e juntos trabalharmos...Um grande abraço e o teu texto está maravilhoso.

  10. Daniel Jun Hashimoto @ 8 Abr, 2010 : 07:43
    Boa tarde! Meu nome é Flávia de Oliveira Carvalho só entrei no site para procurar um pessoa que fez parte da minha juventude! Morei em Carajas (PA) e entre os anos 80 e 90 conheci um rapaz chamado Jun Moto (não tenho certeza do sobrenome dele!!). Nós o chamavamos dessa maneira. Filho de mãe brasileira e pai japonês tinha os olhos verde e era muito alto. Ele foi estagiário da CVRD (VAle do Rio Doce). Ele morava em Belem (PA). E a ultima notícia que tive dele é de que estava trabalhando como aviador. Em momentos vagos DJ's! Qualque notícia eu agradeceria muito a você. flaviacavalc@yahoo.com.br Busca: colônia japonesa de Belém no Pará

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