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Ariane Tieko Frare Kira

Curitiba / Paraná - Brasil
34 anos, Estudante

Geada em 1975


Em 1975 houve uma grande geada que marcou o fim da cultura cafeeira na região norte do Paraná, inclusive pela família. Nesse mesmo ano nevou em Curitiba. Após esse episódio iniciou a cultura da soja, que até então era desconhecida por muitos.


Enviada em: 13/07/2008 | Última modificação: 13/07/2008
 
« Vinda para Maringá

 

Comentários

  1. Nelson Sinzato @ 15 Ago, 2008 : 19:09
    Prezada Ariane, minhas cordiais saudações. O inverno de 1975 foi mesmo muito rigorososo. Na época minha família possuia um pequeno sítio de cinco alqueires, com dez mil pés de café, em Dracena, SP, que foram totalmete destruidos pela geada daquele ano. A gente tinha muito amor por aquele sítio, que fora comprado ainda com mata virgem pelos meus pais. O plantio do café foi efetuado pela própria família, de forma como se fazia na época: plantava-se a semente numa cova que era coberta por madeiras cortadas pequenas, para proteger das intempéries da natureza. Assim, o cafezal levava quatro anos para as primeiras pequenas produções. Nesse espaço de tempo a família sobrevivia plantando-se culturas de subsistênia entre as ruas dos cafeeeiros. naquele sítio as terras eram de grande fertilidade e formou-se um belo cafezal, que para nós era motivo de enorme satisfação, pois representava o resultado do nosso trabalho e dali a gente tirava o sustento da nossa família numerosa: nossos pais e dez irmãos. A cada safra o cafezal produzia em torno de mil sacos de café em coco e a nossa situação gradativamente ia melhorando. Num ano a gente comprava um caminhão, no outro construia uma nova casa..., energia elétrica, geladeira, televisão, perua Kombi.....Isso até 1975, quando ocorreu a geada. O café recepado rente ao tronco brotou novamente, mas nunca mais foi o mesmo. O solo sem a proteção que o próprio cafezal frondoso proporcionava, sofreu mais as consequências da erosão e o cafezal ainda sofreu as consequências de outros fatores climáticos adversos, pricipalmente a estiagem. Assim debilitado, o cafezal ficava muito vulnerável ao ataque de pragas e doenças. Assim, não houve outra alternativa senão a venda da propriedade. Hoje, todos da mimha família estão estabelecidos em outros ramos profissionais. Em 1979 ingressei no Banco do Brasil e hoje estou aposentado. Porém o sítio onde nasci e fui criado permanece vivo na minha memória. Lembro-me de cada detalhe do imóvel e à noite enquanto durmo, ali retorno, em sonho, convivendo com meus irmãos. A casa de madeira da sua galeria de fotos muito me lembra da casa que ali existia. Ariane desculpe-me por eu ter me alongado demais. Aliás você conhece a história da geada de 1975 de ouvir falar, não é mesmo? Pois seu nascimento é após aquele ano. Obrigado e um abraço.

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