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Mauro Kyotoku

João Pessoa / Paraiba - Brasil
72 anos, Professor

Como funcionavam as escolas japonesas no interior de São Paulo


Obs: Tomoo Handa, pintor e escritor é autor de, O imigrante japonês, uma das referências fundamentais para conhecer a saga de milhares de japoneses que aqui aportaram e deixaram seus filhos, netos, bisnetos e agora começam a nascer os trinetos.

A partir da pág. 281 até 297, temos o capítulo. “Os órgãos administrativos e a educação nos núcleos de colonização” onde ele descreve a escola japonesa construída e dirigida pelos imigrantes. A seguir reproduzo o trechos do livro que avalio serem mais interessantes no sentido acrescentar o que escrevi.

Este livro esta esgotado, então uma alternativa é recorrer ao artigo da Prof. Zélia Brito Fabri Demartini depositado no sítio Discovernikkei, em pdf, mantido pela Japan American National Museum (http://www.discovernikkei.org/wiki/index.php/Education).

...............Do livro de Tomoo Handa

Passo agora ao problema da escola e educação

Antes de mais nada, os japoneses construíam a escola” – essa era a fama. Mas que tipo de escola ?

Em primeiro lugar, era preciso que não se exigisse muito dinheiro. Conforme o caso servia qualquer casa de pau-a-pique. As paredes podiam ser de barro, e cobertura de sapé. Se o número de alunos fosse pequeno, a casa particular também servia. Não importava onde funcionasse – era melhor improvisar do que não ter, eis o pensamento que os norteava.

Imagine-se que num núcleo de 20 ou 30 famílias se tenha decidido construir uma escola. A totalidade das famílias (isto é, só homens ou, conforme a família, só seu chefe; às vezes também participam moços), aproveitando feriados ou domingos, constrói uma casa de um cômodo apenas.

Como arranjar terreno ? A solução consistia em obter autorização para uso temporário de lote pertencente a algum colono ou receber como doação um terreno. (Conforme o núcleo, o local já teria sido reservado quando do início da venda dos lotes.) Mesmo que se recebesse uma doação, como eram poucas associações de japoneses registradas como pessoas jurídicas, em muitos casos não se conseguia obter o título de propriedade. Por isso, o comum era a autorização de uso mediante pagamento de algum aluguel.

Muito bem. Definido o local, o que exigia dinheiro eram as telhas, as quais não se conseguiam obter de graça. E na falta de dinheiro a solução seria a cobertura de sapé. Mas então a escola iria parecer miserável demais, e diante dessa consideração todos faziam um esforço, contribuindo cada casa com 5 ou 10 mil-reis. Na época, tratava-se de despesa pesada, mas .... que fazer ? Uma escola construída desta maneira dava a impressão de que ficava lotada com 20 ou 30 alunos em seu interior. Se por acaso optasse por uma construção de 5 por 10 metros, para permitir a realização de assembléias de associações de japoneses ou festejos do núcleo, o que aumentava eram as despesas com telhas.

Inicialmente, eram mobilizados os que entendiam de carpintaria. Em qualquer núcleo sempre havia uma ou outra pessoa que preenchia esse requisito. Mostrado o projeto, juntava-se a madeira necessária. Com a participação de moços, ia-se buscar madeira no local em desbravamento mais próximo. A madeira era obtida sem nenhum pagamento, e transporte se fazia sobre os ombros de muitas pessoas. Assim ficava pronta a estrutura. Casos havia em que a associação dos japoneses enviava algum dinheiro ao carpinteiro em “sinal de gratidão” mas, se acontecia de ter ele um filho em idade escolar, era comum recusar o pagamento. Nessas condições se resolvia, na festa de conclusão do vigamento do telhado, comprar um pouco mais de pinga e caprichar nas iguarias.

A colocação de telhas e aplicação de barro nas paredes eram trabalhos feitos com a convocação da totalidade dos participantes da construção. As ripas, feitas com os coqueiros cortados ao meio, são dispostas em pé, para em seguida receberam lateralmente, no sentido horizontal, paus finos que lhes são atados com cipó. À maneira japonesa, ao barro são adicionados palha e sapé picados. Duas aplicações da mistura bem amassada são feitas nas paredes, tanto interna como externamente: não se rebocavam as paredes.

Naturalmente, não se fazia o forro, e o chão era batido para ficar bem duro. Se se tratasse de casinha, abriam duas janelas de cada lado, ou distribuídas em três lados. Se a escola fosse grande, eram necessárias de 6 a 8 janelas para se conseguir claridade suficiente. No caso de barraco de pau-a-pique eram inconveniente as janelas grandes, e por isso se aumentava o número de aberturas. Se se achasse pouco prático a janela, ou porque ela entrasse água da chuva ou porque os raios de sol fossem fortes, colocavam-se dobradiças na parte de cima e mantinha-se a janela levantada com um pau. Era o sistema mais indicado para cortar o sol e a chuva numa época que não havia vidro. As “carteiras” eram improvisadas com uma tábua pregada sobre os paus fincados no chão. Os bancos, precisando ser móveis, eram feitos apenas com tábuas. Demandavam algum dinheiro. Acrescentem-se o quadro negro, a mesa e a cadeira do professor. Ainda não havia estrado reservado para a mesa do professor.

...............

Como funcionava a escola

Conforme a localidade, pedia-se ao professor que lecionasse só no período da manhã, e que à tarde trabalhasse na lavoura. O professor também tinha família, e se dispusesse de um terreno seus familiares podiam utilizá-lo para algumas culturas. Como não se podia exigir pagamento, o núcleo alugava o terreno de alguém e o cedia graciosamente ao professor. Na semeadura ou na colheita, mobilizava-se a moçada para ajudá-lo. Como compensação, podia-se pedir-lhe que desse aos ajudantes algumas aulas noturnas por semana. As coisas eram assim encaminhadas .

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Em núcleos pequenos havia pouco mais de dez alunos; se houvesse cerca de 50, então se tratava de núcleo com perto de 100 famílias. Ainda era uma época em que havia poucas crianças3. Até 20 alunos as aulas eram ministradas em conjunto. Quando se passou a contar com professor de português, suas aulas eram dadas pela manhã, ficando o japonês para o período da tarde. Enquanto se mandava a metade da classe copiar a lição ou fazer exercícios livres, à outra metade se ensinava leitura. Mesmo com relação à aritmética, a uma ala dava-se a resolução de problemas e a outra fazia-se decorar a tabuada. Como essa época os caracteres kanji de jornais e revistas eram ladeados de furigana, que indicavam a sua pronúncia, quem de alguma forma conseguisse ler livros e fazer as quatro operações aritméticas era tido na melhor conta. Sendo núcleo de japoneses, imaginava-se que o aprendizado da conversação era feito naturalmente........

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Neste estilo as aulas matutinas, com cerca de duas horas de duração, chegavam ao fim – e depois havia as da tarde. Mas, quando os alunos eram poucos as aulas chegavam a mais ou menos três horas de duração. Nessas ocasiões os alunos levavam merenda.

O almoço era às 10 horas, mais ou menos, e em seguida se descansava cerca de uma hora. A merenda dos alunos consistia em marmitas do tipo japonês com bolinhos de arroz acompanhados de sardinhas salgadas grelhadas, bolinhos de arroz temperados com sal e gergelim e conservas de mamão em misso. Havia quem levasse como lanche bolinhos de farinha de trigo fritos. Tais bolinhos eram enrolados em folha de bananeira e envoltos num lenço. Como não possuíam maletas, enfiavam em sacolas – que traziam a tiracolo – o livro escolar, o caderno e, no caso de alunos de séries inferiores, o sekiban (lousa de pedra) e o sekihitsu(giz de pedra). Todos descalços. Os meninos usavam bonés brancos feitos em casa, parecidos com os atuais chapéus de alpinistas. Havia meninas que usavam lenços. Todo mundo corria saltitando para casa. O linguajar usual dos meninos era uma mistura de português aprendido na fazenda e do japonês dialetal que os país falavam em família.

............. aqui interrompemos a descrição de Tomoo Handa

Seria interessante que houvessem testemunhas destas descrições, lembrem-se que estas escolas foram fechadas quando da entrada do Brasil na segunda guerra mundial, portanto muitos ex-alunos ainda estão vivos. É importante aproveitar o momento para resgatar estes momentos e usarmos para o presente.


Enviada em: 17/03/2008 | Última modificação: 29/03/2008
 
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Comentários

  1. Sílvio Sano @ 18 Mar, 2008 : 23:04
    Sensacionais estes seus depoimentos, prezado Mauro-san, de importância incomensurável não apenas para a comunidade nikkei, mas a todos os simpatizantes da história da imigração japonesa no Brasil, da cultura japonesa e até das informações científicas que vc expôs aqui, de maneira sintética, apenas para mostrar que intercâmbio cultural, sim, contemplará a humanidade de modo progressivo. E nosso país, neste aspecto, é privilegiado. Os historiadores e jornalistas deviam procurá-lo, mas os educadores, de modo geral, no mínimo, deviam ler todos os seus depoimentos, por sua postura em relação à busca de conhecimento e à pesquisa e pela forma como estimula outrens a fazerem o mesmo. O resultado está aí, em seus filhos e, bem como na disponibilização de seu acervo (aliás,estou interessado na 2ª foto de Onda Verde - silviosam@nethall.com.br - yoroshiku onegaishimasu). Parabéns, obrigado por seu exemplo e um grande abraço.

  2. Mauro Kyotoku @ 21 Mar, 2008 : 08:36
    Grato pelos comentários, não é modéstia, mas alguns são exagerados. Os educadores dizem, escrevem, gritam e talvez alguns até esperneiem para que os pais participem na educação dos filhos. Alguns participam, mas não sabem fazer direito, paternalizam demais, tornam a criança dependente demais. Outros querem, mas não sabem o que fazer, por exemplo, compram computadores, mas os filhos usam de forma inadequada. Mas a verdade é, que a grande maioria dos pais não participam. Ouço dizer eu pago a escola, e eles devem fazer o trabalho, eu não posso substituir a escola, inclusive muitos deles(pais) não sabem avaliar, outros pagam as escolas mais caras, achando que tem melhor qualidade e assim vai, o mundo se transforma numa velocidade surpreendente o que torna as coisas mais complicadas ainda. Se houver demanda posso tentar aprofundar o assunto, mas repito, os educadores sempre dizem para os pais participarem na educação dos filhos. O que fizemos, eu e minha esposa, nada foi planejado e nem discutido. Os fatos foram acontecendo e o resultado final veremos daqui, talvez, em 50 anos, quando teremos o próximo jubileu, espero, da imigração japonesa. Outro assunto, mais importante. Enviei há alguns dias atrás uma cópia de cerca de 3MB da foto da escola de Onda Verde, depois tentei enviar outra de 11 MB (qualidade melhor), mas a mensagem voltou, muitos servidores de mensagens eletrônicas (e-mails) não aceitam arquivos grandes, mas no de 3 MB é possivel ver as pessoas. Imagino que deva ter visto entes queridos. Depois dos comentários fui ver um pouco da família Sano, neste rico sítio da Abril, aproveito o momento para enviar os parabéns para a Abril Editora, pela ideía e execução. Mas, voltando aos Sano conheci algumas delas na década de 60. A Kinue e a Célia, no carnaval por volta do ano de 1965 e depois as revi, provavelmente, em 1967 na Biblioteca do Bunka na São Joaquim, nesta época estudava muito e não tive nem condições de alongar muito. Encontrei-as com a Elza Sato, que depois tornou-se professora da PUC-SP, ela é irmã da Isabel, que acho continua casada com o Satie Sano, irmão mais velho da Célia e médico, por favor corrijam se grafei o nome errado. A Elza e a Isabel, tem uma irmã casada com meu primo Shoite de Votuporanga, cidade próxima a Fernandópolis. Parte da família de minha mãe, Nakabashi, mora em Votuporanga, eles possuem algumas lojas com o nome de Casa União. Olhando a foto observei, o meu tio Toshio, ele tem 86 anos e segundo minha prima Eunice esta com boa saúde, observei muitas crianças e poderiamos tentar procurar o resto das pessoas que estão presentes na foto, minha mãe deve estar lá, ela tem 82, um pouco doente. Meu pai e minha mãe devem ter se conhecido em Onda Verde, nunca me falaram disso, mas também nunca perguntei. Finalmente Silvio-San, muito grato pelos comentários.

  3. Sílvio Sano @ 21 Mar, 2008 : 11:36
    Prezado Mauro-san. Que grata coincidência! Também por isso, concordo com vc que a Abril merece realmente os parabéns por essa acertadíssima iniciativa. Pelos comentários dos leitores podemos observar os reencontros de muitas outras pessoas mais, depois de "longo e, às vezes, tenebroso inverno". O fato de cada um poder socializar sua história... com o "mundo", hoje, leva a esse tipo de resultado. Sem contar o conhecimento e o reconhecimento dos sacrifícios passados por nossos ancestrais. No que concerne à minha família, com exceção do marido da Isabel, que se chama Leonardo Tsunekatsu, todos os nomes citados estão corretos. A foto que me enviou está com resolução suficiente para o reconhecimento das pessoas ali flagradas e agora vou mostrá-la aos irmãos e parentes para que me ajudem nesse processo. Um grande abraço.

  4. Mauro Kyotoku @ 21 Mar, 2008 : 14:41
    Prezado Silvio-San. Pois é, a minha memória nem sempre funciona tão bem. Ao tentar recordar os nomes acho que confundi-me um pouco, acho que vocês tem uma prima chamada Satiko, mas eu nunca soube que marido da Isabel fosse Leonardo Tsunekatsu, acho que o chamavam de Kátio ou Cátio [mil perdões K(C)átio], por não poder ser, Katsu por causa daquele historinha, alias bem divertida, que alguém escreveu e você comentou.

  5. Elisa K. @ 29 Abr, 2008 : 02:47
    Sr. Kyotoku, meus cumprimentos pelo detalhado panorama da evolução da comunidade, com enfoque centrado na Educação. Muito oportuna a descrição do estudioso e "visionário" Tomoo Handa neste contexto, sobretudo nestes tempos em que o próprio Estado promove o ensino como produto mercadológico a "1,99" nas mãos de privados. Handa só não previu que escolas de pau-a-pique se tornariam na gerações sucessivas em luxuosos templos arquitetônicos, instalados em cada esquina brasileira. E o mais trágico: de que as escolas fariam maciças propagandas e "promoções" de cursos nas TVs, rádios, metrôs e out-doors com o mesmo parâmetro da venda de sabão em pó! Abraços.

  6. Mauro Kyotoku @ 30 Abr, 2008 : 08:33
    Pois é Sra. Eliza. Podemos perguntar, como serão as futuras gerações com esta mercantilização da educação. Mas a minha compreensão, que provavelmente é a sua, é que o Estado, por não cumprir o seu papel, abriu espaço para esta situação. Este espaço foi ampliado, quando a comunidade nipo-brasileira não reabriu as escolas que foram fechadas na época da II guerra. Somos uma das poucas comunidades étnicas expressivas em São Paulo, que não dispõe de uma Escola na cidade de São Paulo. Os italianos tem o Dante Alighieri, os alemães o Alexander Von-Humbolt, os franceses o Liceu Pasteur, os espanhóis o Cervantes e finalmente os judeus tem várias escolas, me disseram que eram sete. Muitos dos nossos descendentes não tem acesso a educação de boa qualidade, não tem condições de pagar os preços extorsivos cobrados por algumas escolas frutos da mercantilização citada anteriormente e ficam a mercê de toda qualidade de ensino. Em alguns casos todo o esforço feito pelas primeiras gerações pode acabar-se perdendo. Aí eu pergunto onde estão as antigas e as novas lideranças, que deveriam aproveitar este evento para contribuir efetivamente, sem paternalismo, para a melhoria das condições de vida das futuras gerações, como fizeram nossos pais.

  7. Luci Suzuki @ 31 Mai, 2008 : 05:47
    Sr. Kyotoku, não resisto a uma boa prosa na cozinha, com argumentos que inscitem meus sensores gustativos(rs). E se a comida possui aquela aura formada por elementos humanos, como o caso do “ofukuro no aji” (おふくろの味), tanto melhor. Da pouca habilidade culinária da minha mãe, resultava sempre uma corruptela de nishimê (por sempre faltar algum ingrediente), mas ainda hoje, consigo descobrir num toquinho de inhame, o mesmo poder evocativo do cheiro da infância. E a cerejinha sobre a torta se completava com um fundo musical de rádio de pilha! A trilha sonora da cozinha era de qualquer hits do momento, como Rita Pavone, Demétrius, Os Incríveis, Beatles, etc. Até o dia em que os Led Zeppelin me “transviaram” e o nishimê ficou um período sem a memória. E à propósito do poder de expressão do kanji, há um outro que muito me intriga: o “oku-san” (奥さん), ou seja, esposa. (Outros pronomes seriam “tsuma”, “fujin”, etc). O ideograma oku 奥, de esposa, significa “fundo”, “ao interno”, “atrás”. E ainda comporta dentro de um quadrado, um outro ideograma, “kome” ,(米)o arroz. Parece-me que o imperador Kan deixou subentendido que a esposa seja aquela figura que permanece lá nos “fundos”, dentro de quatro paredes, preparando o arroz. Em tempos de fast-foods e comidas prontas, o kanji poderia criar um neologismo, usando o 外 (soto), "fora", "externo". A esposa contemporânea passaria a ser chamada “Soto-san” (外さん) !!! Um grande abraço, Luci

  8. Susy @ 19 Set, 2008 : 09:57
    Prezado Mauro-San Eu to procurando onde meu filho possa aprender musica com o metodo Suzuki aqui em SP, sera que tem algum que possa me apresentar?

  9. Mauro Kyotoku @ 20 Set, 2008 : 11:32
    Prezada Sra. Susy. O método Suzuki é muito popular, usar as cifras e músicas não é o método Suzuki na sua integridade. O método Suzuki incorpora algumas características da cultura japonesa, uma parte é aquilo que eu chamo de senso coletivo de destino e o outro é a constante repetição. O sentido coletivo é dado pelas aulas em conjunto, quando todos os que estudam numa mesma sala, tocam as músicas que já aprenderam, juntamente com iniciantes que tocam as primeiras músicas e depois ficam observando o que os veteranos fazem, isso é feito, imagino, para instigar os novatos. Esta método coletivo faz com que a desistência muito alta nas escolas de música seja minimizada havendo uma espécie de pressão dos pares, desta forma fica implicito uma repetição sistemática uma determinada lição. Prezada Sra. Susy, não saberia apresentar ninguém em São Paulo, praticamente não tenho ido a São Paulo, minha mãe reclama muito, o que há que se fazer. Coloquei no google as palavras "Metodo Suzuki" "aulas de violino" São Paulo e apareceram algumas instituições que usam o método Suzuki, não tenho condições de qualifica-las pois se fizesse cometeria injustiças, esta é a modesta contribuição que posso oferecer no momento. Fico a disposição para questões complementares.

  10. Oto Roberto Bormann @ 28 Set, 2008 : 07:31
    Sou Mestre em Gestão da Inovação Tecnológica pelo CEFET/PR (agora Univers. Tecnológica Federal do Paraná) e, professor de Física (entre outras disciplinas) na UDESC-CEPLAN, em São Bento do Sul, Santa Catarina. Dadas as dificuldades por mim vividas no aprendizado da Matemática e da Física, assim as de como inúmeros brasileiros e brasileiras, insisti para que minhas duas netas fizessem o KUMON, em matemática, o que estão fazendo e já têm bons frutos. Isto posto, e tendo em vista a Sua área de atuação como Sensei, que lhe parece a aplicação do Método Kumon para o aprendizado da Física no 3. Grau, Mestrado e Doutorado ? O Método tem tudo de bom e, me parece que esta vertente não tem sido observada e, por experiência e tendo consultado obras de Física e Cálculo de outros países além dos notórios, me parece haver aí uma lacuna a ser preenchida O meu interesse é fazer com que os alunos (de todos os graus), gostem das disciplinas e as aprendam com prazer. A primeira obra de Física por mim lida, foi um magnífico livro de divulgação científica, de Paul Karlson - O Romance da Física (Du und die Natur). A ciência deve ser interessante, ao meu ver, e até prova em contrário, as pessoas podem aprender com estímulo (livros realmente didáticos onde os autores realmente se interessem em mostrar como se faz, sem esconder detalhes ou deixando de pressupor detalhes dos quais nem sempre as pessoas se lembram (ou não aprenderam direito) e acabam desfocando por ter que ¨garimpar em várias fontes¨, quando poderiam investir mais e dedicação nos temas em auto-estudo e, aplicar as repetições sistemáticas como ensinadas pelo Respeitável Mestre Toru Kumon. Respeitosamente, und Hochachtungsvoll, Oto Roberto Bormann

  11. Mauro Kyotoku @ 30 Set, 2008 : 19:15
    Prezado Prof. Oto Roberto As técnicas desenvolvidas para o ensino de matemática por Kumon, foram adotadas, com outro nome em passado recente no Ocidente. Algum tempo depois que Kumon criou, para seu filho que tinha dificuldades no aprendizado de matemática,folhas de instrução programada, provavelmente inspirado no método de repetições do ensino do Kanji. Esta técnica reproduzindo Kumon é aplicada no ocidente como "Sistema de Instrução Personalizada (SIP)" e foi desenvolvido por Fred Keller, existe na internet (http://ww2.lafayette.edu/~allanr/keller.html) denominado tributo a Fred Keller em que se menciona que na muito conhecida MIT (Massachusetts Institute of Technology) desenvolveu para área de Física um programa de instrução personalizado. Acompanhei, em meados dos anos 70, de perto a aplicação deste método no Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IFUSP), onde durante dois anos foi aplicado para um pequeno grupo de alunos.Acho que eles chegaram a conclusão que a aplicação para muitos alunos é muito caro. Acho que tem o material usado para este ensino, imagino serem mais de milhares de páginas guardados, ou seja, já existe um SIP para a Física em nível superior. Este material, imagino novamente, são semelhantes, no atacado, as folhas de instrução programada para matemática, que Toru Kumon desenvolveu para ensinar ao seu filho em 1954 e sua esposa com grande capacidade de observação e empreendimento, ao perceber que estas folhas de instrução programada desenvolvida pelo marido funcionavam, resolveu depois de testar com outras crianças, e finalmente abriu uma empresa em 1958 para ensinar matemática ao japoneses e depois ao mundo. Entre os diversos tipos de (SIP),há diferença está na quantidade de repetições e o novo aprendizado. No Kumon observo que é milimétrico. Estas repetições, são entediantes para quem tem facilidades. As folhas Kumon devem ter sido inspiradas nas técnicas de repetição aplicadas no ensino do Kanji, pois é necessário reescrever e reescrever o mesmo Kanji até memorizá-lo. Os alunos japoneses fazem isso na sala de aula até ganhar alguma destreza, mas é importante notar que o aprendizado também vai da mãos ao cérebro. Neste momento podemos lembrar do ditado confuciano que diz. Eu ouço, eu esqueço. Eu vejo, eu me lembro. Eu faço, eu aprendo. O fazer é importante é essencial processo de aprendizado, por isso há séculos mandamos as lições de casa, cada vez mais desprezada pelos alunos e pouco cobradas pelos pais.

  12. Arthur @ 14 Out, 2008 : 19:37
    As familias habitavam esse terreno ,so era uma familia ,ou varias familias em um so terreno? me add no msn e me responda ,preciso disso pra um projeto na escola. Oosaminha@hotmail.com

  13. Mauro Kyotoku @ 15 Out, 2008 : 07:12
    Prezado_Sr_Osaaminha: Em primeiro lugar não tenho MSN e acho que educação no Brasil é um assunto tão sério que, no meu caso, ficar dando palpites com pouca reflexão é uma temeridade. Uma serie de detalhes das escolas japonesas você pode encontrar no artigo da Prof. Zélia Brito Fabri Demartini no sítio (http://www.discovernikkei.org/wiki/index.php/Education) e o título do artigo é Relatos orais de famílias de imigrantes japoneses: Elementos para a história da educação brasileira. Você poderia abaixar este texto e basear o seu trabalho nele. Quanto a sua pergunta específica imagino que queira saber como moravam as famílias japonesas, ou explicação melhor da seguinte passagem de Tomoo Handa “Como arranjar terreno ? A solução consistia em obter autorização para uso temporário de lote pertencente a algum colono ou receber como doação um terreno. (Conforme o núcleo, o local já teria sido reservado quando do início da venda dos lotes.) Mesmo que se recebesse uma doação, como eram poucas associações de japoneses registradas como pessoas jurídicas, em muitos casos não se conseguia obter o título de propriedade. Por isso, o comum era a autorização de uso mediante pagamento de algum aluguel.” Os japoneses guardavam o sentido comum de destino, então normalmente surgiam lideranças para organizar associações e escolas. As famílias moravam em diferentes locais e trabalhavam em diferentes propriedades, os filhos iam para escola comum. Tudo é muito semelhante ao que ocorre hoje nas escolas rurais atuais. Só que hoje é mais confortável, temos õnibus ou “vans” para locomoção, neste sítio da Abril, você encontra depoimentos de pessoas que andavam muitos quilômetros para chegar a escola e voltar, muitas vezes descalços por falta de dinheiro para comprar sapatos, muitos não acreditam, mas é a pura expressão da verdade

  14. marlea @ 14 Nov, 2008 : 12:01
    preciso realizar meu sonho ir pro japao e possivel alguem me ajude

  15. samara chiba @ 10 Ago, 2010 : 12:07
    minha avo tbm e da provincia de hokkaido e nao sei muito sobre a sua historia e da vinda para o brasil,sempre foi muito misteriosa e nunca mais quis voltar ao japao.Mais guardo uma enorme vontade de saber sobre seu passado,acho bonitas as fotos do japao de antigamente...Parabens! so oque sei da minha avo e que antes de casar com meu avo ela era kikuchi,depois se tornou endo e mais tarde chiba.Nossa!quantos sobrenomes.

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