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Takako Katsuren Guenka

Campo Grande / MS - Brasil
78 anos, feirante

O sobá como herança dos pioneiros


Vim para o Brasil em 1958, com 15 anos, após terminar o ginásio em março. Em maio, junto com meus pais e meu irmão, deixei Okinawa com destino a Kobe. Lá, fiz um estágio de dez dias para tentar aprender o idioma português antes de imigrar. Depois da guerra, nosso lugar era difícil de viver. Por isso que papai e mamãe sonhavam em virar fazendeiros no Brasil.

Depois de 45 dias a bordo de um navio, cheguei a Santos. De Santos, peguei um trem maria-fumaça para Campo Grande. Inicialmente iria para uma colônia chamada Capem, a 500 quilômetros de Cuiabá (ao norte de Mato Grosso). Mas acabei ficando em Campo Grande. Meus pais e meu irmão foram. Quando chegaram lá, souberam que a terra não era boa para viver, ficaram tristes e voltaram para Campo Grande. Desde então, "virei" campo-grandense, e a considero minha segunda terra natal. E dos 100 anos de imigração, passei 50 no Brasil.

Na infância, a gente brincava de esconde-esconde, de nadar no córrego, de fazer comidinha. Essas brincadeiras de menina, né. Aí, no domingo, eu ia catar lenha no mato e fazia plantação no brejo. Tinha hora para brincar, mas também tinha que ajudar a família.

Em 1961, casei-me e ganhei três filhos. Trabalhei até 1974 na chacára, plantando verduras. Em 1979, por causa dos estudos dos filhos, vim para a cidade. Na feira, comecei como ajudante, junto com o papai e a mamãe. Fomos um dos primeiros a fazer o sobá (prato típico de Okinawa). Em 1980, incentivados por amigos, compramos uma barraca. Apesar de todas as dificuldades, eu falo que a persistência é como ouro. E esse negócio do sobá foi uma herança dos meus pais para mim. Agora, a feira central está famosa graças à inteligência dos pioneiros. Eu admiro muito eles, porque nem sabiam falar o português. Um pioneiro deixou uma pequena semente, que agora está crescendo. Se antes o pessoal falava que era sobá de Okinawa, agora é o sobá da feira central.

Para fazer o sobá, é preciso macarrão caseiro, ossos de porco, como costelinha, shoyu, sal e um tempero à base de peixe.

Pega-se uma panela grande para ferver o osso de porco na água, em fogo baixo. Demora umas oito horas. Depois, coa-se o caldo, que é temperado. Depois, na tigela, colocam-se o caldo e o macarrão e acrescentam-se o ovo frito e a cebolinha picados.

Este é o tempero tradicional, que eu faço . Hoje tem gente que mistura no caldo costela de frango com o de porco, ou só faz com frango. Na feira, tem bastante caldos diferentes.

Depoimento ao jornalista Luciano Shakihama


Enviada em: 11/10/2007 | Última modificação: 30/10/2007
 
« A cultura japonesa e entrevista à NHK

 

Comentários

  1. wanderley.guenka@funasa.gov.br @ 4 Fev, 2008 : 12:45
    Querida Tia Satisfação enorme ver a senhora contar a sua história. É uma história de vida, de persistência, de luta e a senhora venceu.Por ser seu sobrinho e viver próximo, pude acompanhar essa luta. Parabéns! Wanderley guenka

  2. Marcelo Guenka @ 10 Abr, 2008 : 14:44
    Essa eu não sabia... Um Guenka trouxe o sobá para o Brasil... Muito legal...

  3. Elaine Guenka @ 11 Abr, 2008 : 21:00
    Adoro Sobá, melhor ainda saber que é uma receita de família, Abraços

  4. maria lúcia rangelc @ 12 Abr, 2008 : 09:40
    sempre gostei da cultura japonesa sempre me interessei por origami acho fantastico a comida é uma delícia sem dizer que é para saúde muito bom mas o que mais me impressionou foi ver sua foto na tela que japonesa simpatica parabéns voce passa uma energia muito boa,apersistência é como o ouro esta frase me deu a resposta que eu precisava hoje linda esta frase vou guardar para sempre na minha vida e vou trasmitir aos meus alunos dou aula em campos do jordão sou professora de arte adorei conhecer sua história parabens...

  5. Renato Yassuda @ 6 Jun, 2008 : 10:56
    Prezada Takako-san; Parabéns por seus depoimentos neste site e também no Fantástico. Se um dia estiver em Campo Grande irei provar seu famoso Sobá. Saúde e sucesso. Atenciosamente; Renato Yassuda

  6. Norio Tsujikawa @ 6 Jun, 2008 : 14:50
    AdoreiTakako-Sam parabéns.Hoje lendo sua trajétoria de 50 anos no Brasil,aprendi que o prato típico de sobá era de Okinawa.Eu como nihondin nato foi uma novidade,pois sempre que havia ocasiões especiais minha mãe fazia sobá e udon. Domo arigatou gosaimashitá.

  7. herica @ 30 Set, 2008 : 20:56
    =D,batian!!!!

  8. thiemii @ 30 Set, 2008 : 20:57
    =D!!batian!!!

  9. guenka @ 30 Set, 2008 : 20:59
    =D!!!batian!!!!

  10. Geraldo Guenka @ 10 Out, 2008 : 19:10
    Parabéns por seu trabalho maravilhoso de preservação cultural e familiar Sra Takako. Meu sobrenome tb é Guenka e sei muito pouco sobre os antepassados q ficaram no Nihon. Meu grande sonho é retornar p Campo Grande e construir uma casa p meus pais. Histórias com a sua me incentivam. Obrigado e abraços.

  11. MARIO KATSUHIKO KIMURA @ 11 Out, 2008 : 14:15
    Conheci um Guenka, não me recordo do primeiro nome, funcionario do Banco do Brasil em Barra do Garças MT. Seria parente? Apelo para a comunidade Okinawana para conseguir também o endereço do SEIHATI KANAGUSSUKU, foi funcionario do Banco do Brasil em Umuarama PR, administrador em Osvaldo Cruz SP/Ourinhos SP. Foi meu chefe e recebi seu apoio na carreira bancária junto ao BB. E-MAIL: mario.kimura@terra.com.br

  12. Helder Hideki Guenka @ 26 Out, 2008 : 12:15
    Eu so o neto dela O terceiro mais velho O q nunca vai reprova de ano Eu vo fica com a barraca

  13. thiemi @ 31 Out, 2008 : 21:56
    eu tambem mais eu so mais legal!eu moro na mesma casa q a batian =D

  14. thiemi @ 31 Out, 2008 : 21:56
    eu tambem mais eu so mais legal!eu moro na mesma casa q a batian =D

  15. vinicius guenka @ 2 Set, 2010 : 04:10
    olá sou da familia GUENKA também sei pouca coisa sobre a familia...gostaria de saber mais...meu msn vinicius_guenka@hotmail.com abraços

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