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Tieko Fujiye

São Paulo / São Paulo - Brasil
58 anos, Professora e diretora de escola

A força de uma mãe


Hoje ao completar dezenove anos do falecimento de minha mãe me recordo de como ela era firme nos seus propósitos, invejável nas suas relações pessoais e interpessoais, da sua época. Como já comentei ela não dominava a língua portuguesa, mesmo assim, ela se relacionava muito bem com as suas noras. Para ela não importava a cultura, a religião, apesar de ser muito religiosa, o que importava era o bem estar dos filhos. Nos recomendava para que elas fossem muito bem tratadas em casa, quando de suas visitas, pois pra ela assim os meus irmãos estariam quase sempre por perto, o que de fato acontecia. Mesmo durante a época em que ficou enferma, não largava as suas costuras. Sempre que podia costurava
lençóis, bordava, tricotava, fazia capas para futon (acolchoado) e as suas comidinhas deliciosas.
Além disso gostava de escrever muito em japonês. Por isso apesar de eu não ter frequentado a escola japonesa, aprendi algumas palavras e sei conversar um pouco em japonês. Na minha infância ela comprava livrinhos em japonês com histórias japonesas. Ela dizia que o saber não ocupava espaço e me recomendava para eu aprender a conversar, porque me achava muito quieta. Dizia também quem domina uma língua e a utiliza eficazmente poderá chegar a qualquer lugar.
Pensando sobre a cultura trazida pelos nossos antepassados e de algumas coisas aprendidas com a minha mãe, hoje estamos iniciando na Escola da Família da EE Anna Pontes de Toledo Natali, um projeto sobre a Cultura Japonesa para as crianças. Já estão inscritas várias crianças da escola e da redondeza. Com certeza estaremos incentivando a busca pelo conhecimento de mais uma cultura.
Como podemos ver, a força de vontade de uma mãe em transmitir a sua cultura se perpetua, mesmo após o seu falecimento. Isso nos traz uma reflexão muito grande sobre a importância e o poder exercido pelas mães, principalmente, as imigrantes.


Enviada em: 24/07/2009 | Última modificação: 28/07/2009
 
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Comentários

  1. Sílvio Sano @ 9 Jan, 2008 : 12:11
    Tieko, traz um fato que não era tão incomum assim no meio da comunidade, em que o pai, mesmo tendo nascido no Japão e vindo, aos 8 anos de idade, para o Brasil, considerava-se mais brasileiro do que japonês, apesar de o mesmo não ocorrer com a mãe. Mas isso, somados aos decretos de Getúlio Vargas, na época da 2ª Guerra, proibindo o uso de língua estrangeira no país e o fato de se morar em localidades que não tenham a presença da comunidade, acaba justificando o desconhecimento da língua por parte de muitos descendentes, não apenas das novas gerações. Imagine em relação à cultura daquele país. Então, esse clima do momento, devido à comemoração do centenário, acaba trazendo a reflexão sobre a importância de se conhecer as próprias raízes, conforme pode se observar em vários comentários, principalmente de jovens, neste site.

  2. Richard Seitty Takahashi @ 24 Mar, 2008 : 21:31
    Durante muitos anos, meus tios, avô e mãe contaram diversas histórias e acontecimentos passados pela família Fujiye, porém nunca com tamanho detalhamento. Fico feliz com a realização do projeto porque além de registrar a história de parte da minha família, pude conhecer fatos que não conhecia e adquirir uma nova visão sobre a época em que ainda não era nascido.

  3. Tizuru Fujiye Takahashi @ 24 Mar, 2008 : 21:57
    O relato nos mostra as recordações e lembranças sobre nossa família. Fiquei muito emocionada ao ler cada texto dos quais alguns nem conhecia. Vale lembrar que somos "kibishii", fortes, íntegros, leais com o nosso próximo e isso foi a melhor herança que tivemos da família.

  4. Jessica Emilly Takahashi @ 6 Abr, 2008 : 20:13
    Lembro-me que no oshougatsu meu ditian contava muitas histórias, sobre sua vinda ao Brasil, infância, adolescência. Duas das histórias que ele sempre repetia era de quando estava no Belém do Pará , lá só havia manga e mamão para comer: conserva de mamão, doce de manga, okasu de mamão verde... e a outra de quando estava na 4ª série e ainda não entendendo bem o português, acabou entrando na catequese por engano e por isso sabia todos os mandamentos, orações do Catolicismo apesar de ser budista. Relembrar as histórias de família, faz com que eu sinta a presença de antepassados tão queridos que já se foram.

  5. Roberto Silva Martins @ 1 Set, 2008 : 16:13
    Tenho certeza que a Tieko consiguirá atingir todas as suas metas e objetivos na vida, pois é ser humano fantástico e merece ter sucesso em tudo que estiver trabalhando em prol de outras pessoas. Parabéns Tieko por tudo, e obrigado por eu estar trabalhando juntamente com você. De seu amigo Roberto, educador universitário.

  6. Sandra, Shigueo e Shoiti @ 4 Set, 2008 : 10:35
    Tieko San, Deus do céu comtemplou o intento do teu coração ainda menina e viu Deus que era bom. Guiou-te e prosperou a tua jornada e hoje desfrutamos desta benção que é ter filhos em uma escola onde você Tieko San é diretora e tem dirigido o que Deus confiou em tuas mãos com responsabilidade, dedicação amor e muito carinho. A tua família é linda, amamos a tua foto com um aninho de idade. Te desejamos felicidades e riquezas celestiais para sempre.

  7. Tieko @ 21 Out, 2008 : 17:10
    Sandra, Shigueo e Shoiti, depende do olhar de cada um, eu que agradeço a confiança depositada por muitos dos pais da nossa escola, que acreditam que a base de uma boa formação é dada principalmente pela escola pública.

  8. Mario Katsuhiko Kimura @ 27 Abr, 2009 : 19:14
    Tieko Fujiye-senssei, Li todas as historias por você contadas, narrativas de sua vida, de seus ancestrais, historias de vida vitoriosa, suplantando-se inclusive de tabus, de menina quieta introvertida transformada em profissional de ensino de sucesso e de respeito. Meus cumprimentos pela vida vitoriosa, pela sua transparência, sua bondade em saber reconhecer os apoios dos antepassados, dos pares, dos amigos, prestando-lhes as homenagens. Você é um exemplo a ser seguido, verdadeira mestre. Parabéns pelos serviços prestados à comunidade brasileira e nikei a frente da escola em que dirige, sentimo-nos orgulhosos da ilustre representante da colônia japonesa no Brasil. Continue a escrever outras historias para que os leitores como eu possam deliciar-se e aprender e a reaprender. Saúde, paz e sucesso.

  9. Silvio Sano @ 30 Mai, 2009 : 06:44
    Tieko-sensei, mais uma vez, parabéns pela inauguração do jardim oriental da EE Anna Pontes de Toledo Natali, da qual é diretora, mas, principalmente, por ter colocado o vídeo referente ao mesmo neste site. Um grande abraço a todo o corpo docente da Anna, bem como ao discente, com o qual acabei também tendo contato direto e agradável.

  10. Christiani @ 13 Jun, 2009 : 13:21
    Tieko, como você, também sou professora e trabalho em uma escola da rede municipal de São Carlos e estou desenvolvendo um projeto que resgata história e a cultura japonesa presentes em nosso país. Um dos objetivos é resgatar as brincadeiras japonesas e tem como um dos eixos a correspondência por email. Você pode me ajudar? Se entrar em contato poderei dar mais detalhes sobre o projeto, meu email é christiani.silva@yahoo.com.br Aguardo anciosa por uma resposta! Um grande abaço!

  11. juba @ 16 Jun, 2009 : 11:53
    Eu aprendi q os Japoneses estavam com muitas dificuldades no país, e em São Paulo tinha uma fabrica de café, então eles chamaram o povo Japones para trabalhar lá,então o Brasil e o Japão fizeram uma aliança.E lá em São Paulo,tem no Brasil. o maior número de japoneses.

  12. Ivone Aparecida Vincenzi @ 26 Jun, 2009 : 08:08
    Sou descendente de português por parte de mãe e italiano por parte de pai. Como seus avós os meus também vieram para trabalhar nas lavouras. Tive a oportunidade de conhecer mais sobre a cultura japonesa por meu municipio, Arujá, ter incluido durante as festividades de comemoração do centenário, este tema para o desfile cívico. Os alunos da rede municipal aprenderam muito sobre a vida e costumes desta cultura tão bonita. Parabéns pelo seu trabalho e dedicação são pessoas como você dedicadas que nossa educação necessita. Através de seu perfil consegui relembrar muitos fatos de nossa infância. Um grande abraço!

  13. Tieko Fujiye @ 29 Jun, 2009 : 05:32
    Ivone, a impressão que dá quando relembramos da nossa infância e parte da adolescência na EE Prof. Caetano Miele é que o tempo não passou, ou seja, a relação de amizade criada naquela época ultrapassou o tempo e a distância. Obrigada pelo comentário e acredito que pela formação que recebemos da escola pública e de nossos pais, certamente, você também é uma profissional dedicada e seu alunos têm muito que aprender com você que foi pesquisar e me achou neste site. Um grande abraço!

  14. Marcia Hatimondi @ 18 Mar, 2010 : 17:17
    Olá Tieko........sempre achei dificil encontrar alguem com o mesmo sobrenome que o meu..........e vi que vc mencionou Hatimondi entre seus familiares......mesmo aqui no Japão onde vivo há anos eles acham estranho e as vezes dizem que é mesurashi rsrsrsr enfim...se vc puder me informar algo sobre esse sobrenome ficarei muito feliz....abraços

  15. Marcia Hatimondi @ 18 Mar, 2010 : 17:18
    ops..... meu e-mail marcia_hsa@hotmail.com

  16. ivani @ 12 Ago, 2010 : 18:12
    ola tieko parabens pelo trabalho que voce faz na escola anna pontes que Deus te abençoe beijos...

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