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Jum Nakao

São Paulo / São Paulo - Brasil
53 anos, Estilista e diretor de criação

O “Professor Pardal” recriava os brinquedos


Sempre fui introspectivo. Curioso, fuçador, eu costumava desmontar aparelhos eletrônicos e brinquedos para remontá-los ou criar novos objetos. Era meio “Professor Pardal”. Segundo contavam meus avós, quando eu era criança, eu queimava vários transformadores de energia nessas descobertas. Até hoje, sou assim: gosto de estar sozinho, desmontando, montando, desenhando, criando.

Ainda tenho guardados os brinquedos que construí e os que ganhei. Trabalhando na Toda, meu pai ia com freqüência ao Japão e sempre me trazia presentes tecnológicos. Mas eu não brincava com eles. Preferia guardá-los. Achava legal aquilo ser mais cultuado, não via os brinquedos como brinquedos, mas como relíquias. Gostava de preservar as relíquias que ganhava e também de construir as minhas próprias. (Assista ao vídeo em que Jum conta como fez o seu primeiro brinquedo).

Meus amigos formavam uma turma misturada, bem mestiça, bem Brasil. Havia descendentes de italianos, nordestinos, gente simples. E poucos nikkeis. Meus pais não se importavam, só exigiam que eu fosse bem nos estudos. A cultura japonesa manda que o irmão mais velho dê o exemplo e, por isso, sempre fui bom aluno, o ichiban (número um), com as melhores notas. Desde pequeno, pego pesado comigo mesmo, me cobro muito.

Fiz o jardim de infância da prefeitura e, antes de começar a escola regular, freqüentei o nihongako (escolinha de japonês). Nesta época, gostava de participar dos undokais (gincanas), que também aconteciam nas festas de confraternização promovidas pela empresa do meu pai. Ele é budista e, às vezes, ainda me levava para participar de alguns rituais. Uma vez, fui a um festival em que tive de correr descalço sobre um tapete de cinzas e labaredas. Achei aquilo meio selvagem, não gostei nem um pouco.

Dos 6 aos 12 anos, fiz judô com o Ryiuzo Ogawa (um dos precursores do esporte no País). De tão rígido e severo, o sensei parecia um general, mesmo com crianças. Também joguei tênis de mesa por vários anos, treinei em clubes, fui federado. Cheguei a disputar campeonatos com o Hugo Hoyama e o Claudio Kano, mas precisei parar quando entrei no colegial técnico.

Desta época, lembro que a minha mãe, sempre muito dedicada, se levantava comigo, de madrugada, para preparar a minha marmita. Como eu passava o dia inteiro na escola, tinha de comer parte do almoço já de manhã: carne, arroz, sopa, macarrão, e tudo com café com leite! As refeições em casa, aliás, sempre foram muito híbridas. Ainda mais nas festas, que tinham um cardápio bem democrático: o sushi acompanhava churrasco e feijoada.

Depoimento ao jornalista Márcio Oyama
Fotos: Everton Ballardin e arquivo pessoal de Jum Nakao
Vídeos e áudios: Estilingue Filmes
Site de Jum Nakao: http://www.jumnakao.com.br>


Enviada em: 27/11/2007 | Última modificação: 06/02/2008
 
 

Comentários

  1. Sofia Nanka Kamatani @ 28 Nov, 2007 : 20:12
    Prezado Jum Li a sua descrição da vinda dos seus avós ao Brasil em busca do "Eldorado", me fez lembrar a minissérie Haru e Natsu, é uma minissérie que tanto descendentes ou não descendentes devem assistir para compreender melhor,como foi uma parte da História da Imigração Japonesa. Rumo ao Centenário acredito que é o dever de cada um de nós deixarmos o registro para as futuras gerações. Um forte abraço de quem admira o seu trabalho, pela ousadia em acreditar no projeto e da descoberta do "Eldorado da moda".Parabéns! Sofia Nanka Kamatani graphic designer

  2. Lizimar @ 29 Nov, 2007 : 22:43
    Caro Jum LI Que barra, ficar orfã logo na chegada em um País novo sem conhecer uma pessoa se quer nossa parabéns pela força de sua familia. E Parabéns pelo seu trabalho que admiro

  3. Pollyana M. P. Fujiwara @ 11 Fev, 2008 : 21:48
    Sua descricao de eldorado e de todas as dificuldades que sua familia passou sao descricoes atualizadas de tudo nos brasileiros passamos hj no japao .Impressionante que depois de tantos anos os papeis se invertam e o sofrimento continua entre esses dois povos, mais impressionante ainda que mesmo depois de tanto tempo as pessoas ainda tenham que passar por tanta coisa em busca de uma vida melhor ..... Estou no japao a dois anos e ainda tem coisas que sao muito dificeis pra nos brasileiros no japao, estou passando pelas mesmas coisas so que no caminho inverso

  4. Bianca @ 25 Jun, 2008 : 18:53
    Menino do céu, que coisa mais linda você. Tem tempo que quero te dizer isso. queria usar o vídeo da costura invisível para uma disciplina de semiótica. como faço para conversarmos sobre? Um abraço: Bianca www.flordebelalma.blogspot.com

  5. japa pobre @ 25 Set, 2008 : 02:59
    sou fã dele

  6. Carolline @ 8 Jun, 2010 : 07:56
    gostei muito de sua hitoria,meu sonho é ser estilista mas não encontro nenhuma escola tecnica nem estagio . então ,o que o senhor acha que devo fazer?

  7. ridete recife @ 11 Jul, 2010 : 05:01
    Jum é exemplo de ser humano a copiar. Cada vez q entro em contato com o seu mundo, aprendo sempre alguma lição. Assim, vou tentando lapidar a minha alma p/a quem sabe um dia conseguir torná-la grandiosa com a do meu querido Jum.

  8. ridete @ 11 Jul, 2010 : 05:54
    Jum é exemplo de ser humano a copiar. Cada vez mais que entro em contato com seu mundo, aprendo sempre alguma lição. Assim, vou tentando lapidar a minha alma p/a quem sabe um dia conseguir torná-la grandiosa com a do meu querido Jum.

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