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Tizuka Oshiro Prado

Brasília / Distrito Federal - Brasil
70 anos, Pedagoga, Escritora, Poetisa

O Hino Nacional Brasileiro


"Oubirám do Piranga assú marugens puráchidas...", era o som que vinha da nossa casa, em Lins, interior de Säo Paulo e näo seria nada extraordinário se näo fosse o fato que eram vozes de senhoras "isseis"- sexagenárias - portanto, "obátians", tentando aprender o Hino Nacional Brasileiro. O nosso Hino é um dos mais belos do mundo e é também um dos mais difíceis tanto na letra, quanto na melodia cheia de semitons.

Você deve estar se perguntando: Por que aprender o Hino de um país que näo é o seu?

Na minha adolescência, já dava aulas de piano em casa e a pedido de minha mäe que era presidente do "fujinkai" - associacäo de senhoras japonesas - aceitei dar aulas de letra e música do Hino Nacional Brasileiro para as associadas.

A justificativa delas me surpreendeu. Diziam que cantar o Hino Nacional do país que acolheu de bracos abertos os imigrantes japoneses, era a forma de demonstrar gratidäo a este país, Brasil.

Passei entäo, alguns domingos, acompanhando-as ao piano e ao mesmo tempo, fazendo o que eu considerava o meu "oyakoko" - atos de gratidäo aos pais. Sempre ouvi dizer que devemos fazer "oyakoko" antes que fosse tarde.

Ouvir o Hino Nacional Brasileiro, já é emocionante, saber cantá-lo, mesmo com o forte sotaque japonês era no mínimo, um ato sublime pelo supremo esforco dessas senhoras.

Um dia desses, assisti na TV, o episódio em que os jogadores de futebol, em uma solenidade inicial de partida, se dispersaram antes do término do Hino Nacional Brasileiro. A indignacäo do reporter esportivo diante do fato, ressaltando a falta de civilidade deles a ainda por cima, a negligência de nem saberem a letra do Hino ( todos de boca fechada), foi ao ar.

Nesse momento, me veio à mente, a cena daquelas "obátians" cantando o Hino, num gesto de carinho para com a nossa Pátria e me perguntei se
näo seria preciso, instituir como antigamente, atos cívicos para as criancas, no início das aulas, entoando o nosso Hino e hasteando a Bandeira Nacional.

Sempre que ouco o Hino Nacional Brasileiro, a minha emocäo é redobrada: de emocäo pela beleza da melodia e letra e pela lembranca do ato de gratidäo das senhoras japonesas. É para mim, inevitável as lágrimas que lavam a minha alma em um sentimento misto de orgulho de ser brasileira e saudades de minha mäe e sua admirável turma.


Enviada em: 14/04/2008 | Última modificação: 14/04/2008
 

 

Comentários

  1. Joaquim Seiti Itokazu @ 16 Abr, 2008 : 09:49
    Tizuka-tchan, felicito, agradeço e reverencio pela "Minha História, O Hino Nacional Brasileiro" Estou de pleno acordo com você quando pergunta se não seria preciso, instituir como antigamente, no início das aulas, entoando o nosso Hino Nacional e hasteamento da Bandeira Nacional. Mais ainda, que fossem impressos nos cadernos escolares os Hinos Nacional e Hino a Bandeira como antigamente. Com certeza os adultos de amanhã saberiam entoar corretamente o Hino Nacional e teriam um sentimento maior de gratidão e respeito a Pátria e a Humanidade. Parafraseando você, ao ler a sua história, é para mim inevitável as lágrimas que lavam a minha alma em um sentimento misto de orgulho de ser brasileiro e saudades não da sua mãe mas também do ojissan e do Luiz Kamekiti Itokazu, o saudoso "Kamekiti-Nissan" que nos deixou recentemente.

  2. Rita de Cássia Arruda @ 19 Abr, 2008 : 14:02
    Muito comovente esse seu relato, Tizuka. Nosso Hino Nacional é mesmo belíssimo e eu também me emociono muito todas as vezes em que o ouço. As vovós "isseies" que você acompanhava ao piano certamente nos deram uma lição de vida. Muito mais que gratidão, pura e simplesmente, creio que essas "obátians", a seu modo, verdadeiramente demostravam seu amor ao Brasil. Elas provaram ter, sem sobra de dúvidas, um coração verde-e-amarelo. Parabéns pela bela mensagem de civismo e amor que nos deixou aqui e obrigada por dividir conosco suas memórias. Um abraço.

  3. Luci Suzuki @ 17 Mai, 2008 : 13:37
    Sra. Tizuka, o seu relato é de extrema sensibilidade e delicadeza ao resgatar os valores e virtudes que essas senhoras demonstraram em algum momento de sua vida. Certamente, no desejo de aprender o hino nacional brasileiro, estava subentendido aquele valor inerente que tanto caracterizou a “alma” da cultura japonesa de um tempo, o indivisível binômio “guiri/ninjo” (insuficiente tradução para o “dever moral” ou “natureza humana”, respectivamente). Não se tratava de um mero ato cívico ou protocolar, e nem de longe um gesto de superficial exaltação ao país, - ou que nele coubesse uma conotação ufanista, que o próprio hino sugere. No contexto social de hoje, há quem facilmente associe a virtude da reverência/respeito – na sua mais ampla concepção, meio e uso - à “resignação” ou “subserviência” de um indivíduo ou um elemento cultural em relação ao outro. Certamente não era este o caso das senhoras. Dentro de suas limitações linguísticas, e com uma simplicidade quase desconcertante, estavam apenas manifestando o sentimento natural de “ninjo” que o “guiri” lhes sugeria naquele contexto histórico: o desejo de honrar, na condição de imigrantes, alguma virtude recebida. Gestos realmente singelos, que só uma outra pessoa sensível poderia trazê-los de volta. Um grande abraço, Luci.

  4. hiroshi @ 14 Jun, 2008 : 19:11
    qual é a tradução de "hana guiri" muito obrigado

  5. joão carlos celotto @ 23 Dez, 2008 : 18:35
    É BELO É UM HINO É UMA ORAÇÁO A PÁTRIA

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