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Helio Takai

Shoreham / New York - Estados Unidos
62 anos, Físico Nuclear

Imigrantes mas em terras diferentes


A dois anos atrás me encontrei com o ator Geoge Takei. Êle é um ator americano de origem japonesa que fez papel de Mister Sulu no seriado Star Trek. Foi um econtro interessante pois os nossos nomes são parecidos e o encontro foi numa convenção de ficção científica. Bom, vocês podem estar perguntando porquê um cientista iria participar de uma reunião de fans que gostam de espaçonaves, viagens espaciais imaginárias, e outras fantasias. Foi a convite e para apresentar a pesquisa que faço, e como poderia recusar? Obviamente só recebi um almoço enquanto que o George foi bem remunerado.

Conseguimos conversar a sós por uns quinze minutos. Foi um feito pois esta convenção atrai por volta de sete mil fans, e todos êles a procura de autográfo de pessoas famosas (obviamente não a minha). A conversa girou sobre os paralelos da imigração japonesa no Brasil e nos Estados Unidos. São duas corrente de imigração que tem aspectos muito parecidas. A grande diferença entre as duas imigrações foi o que ocorreu durante a segunda guerra mundial. Os japoneses nos Estados Unidos foram colocados em campos de concentração dentro do próprio país. No dia que encontrei o George, ele discutiu por uma hora este problema e foi muito comovente. É triste ver como famílias inteiras foram colocadas em campos de concentração só pelo aspecto físico e nome. Eventualmente os japoneses americanos retornaram aos repectivos locais de origem e re-estabeleceram as suas vidas. George foi uma dessas pessoas que cresceu num campo de concentração, e apesar das dificuldades iniciais, teve uma carreira com muito sucesso. Os quinze minutos que conversamos foi uma eternidade e conversamos sobre onde os japoneses se instalaram inicialmente, dificuldades alimentares, e o problema da língua. Tudo muito semelhante ao que os nossos antepassados passaram. Quando viajo sempre procuro fazer contato com nisseis de outros países para ver como os japoneses evoluiram nestes países e dentro de culturas diferentes.

Toda vez que vou a San Francisco, por exemplo, faço questão de ir até o Japan town. Ela é muito menor que o bairro da Liberdade em São Paulo. Porém tudo é muito semelhante. A menos do inglês tudo é muito igual. As pessoas, restaurantes, lojas, e também a decoração. Os nomes são muito americanos, mas êles são igualmente nisseis e sanseis comos nós somos no Brasil. Culturalmente, porém, o japones da Califórnia formam uma sociedade que não é a japonesa ou americana.

Igualmente interessante são os imigrante japoneses no Havaí. Existem muitos japoneses que imigraram para Honolulu, e outras ilhas adjacentes. Também formam uma sociedade a parte, e talvez seja mais proxima aos nisseis brasilieros. Tranquilos mas sérios ao mesmo tempo. Um local que fui visitar foi um museu onde estão as casas onde os primeiros imigrantes japonese moraram. Foi como se tivesse viajado no tempo. As casas de madeira eram identicas às que morei quando era criança. Eu tenho a impressção que as diversas imigrações japonesas evoluiram muito igualmente em vários lugares do mundo. Mesmo crescendo dentro de culturas diferentes os traços originais da cultura japonesa são mantidas, além do que a sua influência no local certamente pode ser notada. Quem diria que um dia iria se comer sushi numa churrascaria? Um fato muito interessante e que talvez seja o caso de uma tese de doutorado.


Enviada em: 20/03/2008 | Última modificação: 20/03/2008
 
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Comentários

  1. Mauro Kyotoku @ 1 Abr, 2008 : 06:09
    Gostaria que você contasse, de como você aprendeu a função gaussiana ou distribuição gaussiana, ou ainda, distribuição normal, em Maringá. Imagino ser interessante informar com este exemplo, como era bom, o nível de alguns professores das escolas públicas no interior do Paraná há algum tempo atrás. Para quem não se lembra a função gaussiana é também chamada de curva do sino, porque em determinadas condições ela lembra o sino que badalava na torre da igreja de Maringá.

  2. Helio Takai @ 1 Abr, 2008 : 23:48
    Caro Mauro. Sem dúvida o ensino público em Maringá era excelente. Na época que lá estudamos pensávamos que era um colégio do interior e que a nossa educação não era das melhores. Me lembro que discutia muito com os meus colegas o fato de que em São Paulo se aprendia muito mais. Em retrospectiva, creio que o que aprendi mais no colégio estadual do que em escolas consideradas as melhores em São Paulo. Aprendi a montar circuitos, fazer medidas, etc... e por mais estranho que pareça, eu aprendí estatística no meu curso de biologia e não no de matemática. Cada um de nós tinhamos 10 feijões (acho) e cada dia em casa tinhamos que regar com um conta gotas, e anotar quanto tempo levava para cada grão brotar. Após algum tempo na aula de biologia a professora coletou todos os dados e lá em frente de nós vimos uma distribuição gaussiana cuja média era o tempo médio para o feijão brotar. Para mim foi uma experiência inequecível e aprendi que não é necessário um arranjo caro para aprender algo realmente fundamental em ciências.

  3. Elisa K. @ 17 Abr, 2008 : 02:20
    A propósito de nikkeis de outras regiões do mundo, lembrei-me da curiosa conclusão a que cheguei, durante a Convenção Internacional de Nikkeis das Américas, ocorrido em São Paulo há mais de 20 anos. Houve, naquela ocasião, uma grande participação de nikkeis canadenses, havaianos, mexicanos, passando por outros, provenientes de vários países da América Latina até Argentina. Ainda que todos tivessem a mesma origem nikkei, era curioso notar que os traços fisionômicos e o próprio comportamento os distinguiam perfeitamente entre um nikkei americano, por exemplo, do outro, peruano ou brasileiro. Arrisquei várias hipóteses para compreender essa clara distinção(a influência da comida, clima, hábitos, contextos sociais e sua evolução histórica, etc) e concluí que os comportamentos se moldam muito mais de acordo com os pensamentos e valores sociais locais que outros elementos físico-materiais externos. Entre a formação católica latina e protestante anglo-saxônica, pode-se fazer a leitura dos códigos de acesso à essa individualidade até mesmo no olhar e nos gestos de cada um dos povos. Daí, é fácil compreender como cada comunidade se evoluiu nos seus contextos. Sobre um tratado do assunto, me parece que já haviam muitas publicações de sociólogos e antropólogos (sobretudo norte-americanos, canadenses e brasileiros) abordando o tema. Abraços, Elisa.

  4. Sílvio Sano @ 17 Abr, 2008 : 17:05
    Prezado Hélio, o seu depoimento da infância de tão rememorável e afim, pela forma como o desenvolveu, remeteu-me à música de Ataulfo Alves (Meus tempos de criança), mas o que me tocou mesmo foi o Imigrantes em Terras Diferentes em que por mais que meios sejam diferentes o "sangue" continua norteando certas posturas. E isso é interessante porque a identificação não se dá apenas pelo semblante. E o Brasil, país de boa receptividade a estrangeiros pode colher bons frutos "lá na frente"... com discernimento. Um grande abraço.

  5. Solange @ 11 Jul, 2008 : 20:17
    Caro Helio, a forma como relata a sua infancia em Assaí me faz gostar mais ainda minha cidade. Nasci nesta cidade, estudei engenharia civil em Londrina e à casa retorno depois de 10 anos de ausencia. A cidade cresceu um pouco, bem pouquinho, mas ainda provinciana. O fenomeno dekassegui fez com que vários de nossos "patricios" abandonassem a cidade. Restam aqui algumas batchanzinhas e ditchanzinhos que ano a ano se vão. O campo de beisebol ainda existe, raras as vezes que se joga o softbal e o campeonato de atletismo, o Rikudyo, lembra-se? Caso queira fotos recentes de nossa cidade, posso encaminha-lo, para matar a sua curiosidade. Mas se quiser fotos bem mais antigas veja o site do Grupo Parlamentar Brasil-Japao: http://www.gpbrasiljapao.com.br/index.php?option=com_easygallery&act=categories&cid=15&Itemid=68 . Abraços fortes saudosistas de sua terra do sol nascente

  6. Helio Takai @ 13 Jul, 2008 : 15:27
    Cara Solange, obrigado pelo site. Gostei muito de ver fotos de Assaí. Gostaria muito de receber fotos recentes da cidade. Já faz muito tempo que estou ensaiando em ir visitar a cidade, mas por uma razão ou outra nunca tem sido possível. É incrivel que o estádio de beisebol ainda exista. Nós morávamos muito perto do estádio e visitava com frequência. Aliás acho que tudo é muito perto em Assaí, não é? Abraços.

  7. solange @ 4 Set, 2008 : 00:01
    Ola Helio!! para que possa mandar fotos recentes manda-me seu email para postagem ok? até logo!

  8. Helio Takai @ 4 Set, 2008 : 09:41
    Solange, o meu email é helio.takai -arroba- gmail.com

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