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Helio Takai

Shoreham / New York - Estados Unidos
62 anos, Físico Nuclear

Infância em Assaí, Paraná


Eu me lembro claramente da minha infância em Assaí, no estado do Paraná. Em 1960 com dois anos de idade a minha família mudou-se de Bastos, SP para Assaí, PR. Fui residente em Assaí até os meus 10 anos de idade. Assaí na época era uma cidadezinha muito pequena (acredito que ainda seja pequena) que tinha uma população grande de japoneses. O próprio nome vem do japonês Asahi. Fiz o Jardim de Infância na escolinha da Igreja e me lembro bem da Professora Kiyomi. Também me lembro do Jardim de Infância e tenho fotos da formatura. Uma coisa que me lembro muito bem sorbre o Jardim de Infância é que colecionava gafanhotos no meu bolso e para o desespero da minha mãe trazia-os para casa. Depois, fui cursar o meu primário. Isto foi na Escola Princesa Izabel. Izabel com Z que até hoje me lembro. A Escola era fantástica. As memórias da escola ainda estão bem vívidas. Me lembro de várias ocorrências. Uma é que comecei a colecionar cristais, que a gente encontrava num terreno adjacente à escola. Era como fossemos à mata virgem. Me lembro de uma sala de aula com goteiras. Tantas goteiras que precisavamos todos mudar para um lado da sala para ficarmos seco. Me lembro das botas que usavamos quando chovia. E também me lembro das nossas aulas. Apesar de ter aprendido a ler e escrever, e aritimética, o que me lembro mais são as aulas de arte onde chegamos a fabricar um coelho de páscoa. Assaí era uma cidade pacata onde brincávamos na rua e como brincávamos. A nossa televisão só pegava um canal, o canal 3 de Londrina e em horário limitado. Era uma cidade muito boa de se morar e acredito que ainda esteja o mesmo. Me lembro do estádio de beisebol que o meu pai nos levava para assistir os jogos. Lembro da Igreja e dos casamentos. Me lembro do rio Tibagi onde iamos nadar. Me lembro das mangueiras onde íamos pegar mangas, e quantas! Porém, o fato mais marcante na minha infância em Assaí foi o fato de poder observar estrêlas. Da porta da cozinha que nos levava para o quintal podia todas as noites claras observar a Via Láctea, e milhões de outras estrelas. E a estrêla Dalva que era um espetácula a parte. Me lembro de um eclipse total onde as galinhas que tinhamos foram dormir, e cometas que observei a olho nu. Hoje eu tenho certeza que isso me levou a seguir a carreira de Físico Nuclear, cientista.


Enviada em: 18/03/2008 | Última modificação: 18/03/2008
 
Imigrantes mas em terras diferentes »

 

Comentários

  1. Mauro Kyotoku @ 1 Abr, 2008 : 06:09
    Gostaria que você contasse, de como você aprendeu a função gaussiana ou distribuição gaussiana, ou ainda, distribuição normal, em Maringá. Imagino ser interessante informar com este exemplo, como era bom, o nível de alguns professores das escolas públicas no interior do Paraná há algum tempo atrás. Para quem não se lembra a função gaussiana é também chamada de curva do sino, porque em determinadas condições ela lembra o sino que badalava na torre da igreja de Maringá.

  2. Helio Takai @ 1 Abr, 2008 : 23:48
    Caro Mauro. Sem dúvida o ensino público em Maringá era excelente. Na época que lá estudamos pensávamos que era um colégio do interior e que a nossa educação não era das melhores. Me lembro que discutia muito com os meus colegas o fato de que em São Paulo se aprendia muito mais. Em retrospectiva, creio que o que aprendi mais no colégio estadual do que em escolas consideradas as melhores em São Paulo. Aprendi a montar circuitos, fazer medidas, etc... e por mais estranho que pareça, eu aprendí estatística no meu curso de biologia e não no de matemática. Cada um de nós tinhamos 10 feijões (acho) e cada dia em casa tinhamos que regar com um conta gotas, e anotar quanto tempo levava para cada grão brotar. Após algum tempo na aula de biologia a professora coletou todos os dados e lá em frente de nós vimos uma distribuição gaussiana cuja média era o tempo médio para o feijão brotar. Para mim foi uma experiência inequecível e aprendi que não é necessário um arranjo caro para aprender algo realmente fundamental em ciências.

  3. Elisa K. @ 17 Abr, 2008 : 02:20
    A propósito de nikkeis de outras regiões do mundo, lembrei-me da curiosa conclusão a que cheguei, durante a Convenção Internacional de Nikkeis das Américas, ocorrido em São Paulo há mais de 20 anos. Houve, naquela ocasião, uma grande participação de nikkeis canadenses, havaianos, mexicanos, passando por outros, provenientes de vários países da América Latina até Argentina. Ainda que todos tivessem a mesma origem nikkei, era curioso notar que os traços fisionômicos e o próprio comportamento os distinguiam perfeitamente entre um nikkei americano, por exemplo, do outro, peruano ou brasileiro. Arrisquei várias hipóteses para compreender essa clara distinção(a influência da comida, clima, hábitos, contextos sociais e sua evolução histórica, etc) e concluí que os comportamentos se moldam muito mais de acordo com os pensamentos e valores sociais locais que outros elementos físico-materiais externos. Entre a formação católica latina e protestante anglo-saxônica, pode-se fazer a leitura dos códigos de acesso à essa individualidade até mesmo no olhar e nos gestos de cada um dos povos. Daí, é fácil compreender como cada comunidade se evoluiu nos seus contextos. Sobre um tratado do assunto, me parece que já haviam muitas publicações de sociólogos e antropólogos (sobretudo norte-americanos, canadenses e brasileiros) abordando o tema. Abraços, Elisa.

  4. Sílvio Sano @ 17 Abr, 2008 : 17:05
    Prezado Hélio, o seu depoimento da infância de tão rememorável e afim, pela forma como o desenvolveu, remeteu-me à música de Ataulfo Alves (Meus tempos de criança), mas o que me tocou mesmo foi o Imigrantes em Terras Diferentes em que por mais que meios sejam diferentes o "sangue" continua norteando certas posturas. E isso é interessante porque a identificação não se dá apenas pelo semblante. E o Brasil, país de boa receptividade a estrangeiros pode colher bons frutos "lá na frente"... com discernimento. Um grande abraço.

  5. Solange @ 11 Jul, 2008 : 20:17
    Caro Helio, a forma como relata a sua infancia em Assaí me faz gostar mais ainda minha cidade. Nasci nesta cidade, estudei engenharia civil em Londrina e à casa retorno depois de 10 anos de ausencia. A cidade cresceu um pouco, bem pouquinho, mas ainda provinciana. O fenomeno dekassegui fez com que vários de nossos "patricios" abandonassem a cidade. Restam aqui algumas batchanzinhas e ditchanzinhos que ano a ano se vão. O campo de beisebol ainda existe, raras as vezes que se joga o softbal e o campeonato de atletismo, o Rikudyo, lembra-se? Caso queira fotos recentes de nossa cidade, posso encaminha-lo, para matar a sua curiosidade. Mas se quiser fotos bem mais antigas veja o site do Grupo Parlamentar Brasil-Japao: http://www.gpbrasiljapao.com.br/index.php?option=com_easygallery&act=categories&cid=15&Itemid=68 . Abraços fortes saudosistas de sua terra do sol nascente

  6. Helio Takai @ 13 Jul, 2008 : 15:27
    Cara Solange, obrigado pelo site. Gostei muito de ver fotos de Assaí. Gostaria muito de receber fotos recentes da cidade. Já faz muito tempo que estou ensaiando em ir visitar a cidade, mas por uma razão ou outra nunca tem sido possível. É incrivel que o estádio de beisebol ainda exista. Nós morávamos muito perto do estádio e visitava com frequência. Aliás acho que tudo é muito perto em Assaí, não é? Abraços.

  7. solange @ 4 Set, 2008 : 00:01
    Ola Helio!! para que possa mandar fotos recentes manda-me seu email para postagem ok? até logo!

  8. Helio Takai @ 4 Set, 2008 : 09:41
    Solange, o meu email é helio.takai -arroba- gmail.com

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