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Sussumu Tanaka

São Paulo / SP - Brasil
107 anos, comerciante

A estréia do Cine Nitéroi em São Paulo


Minha família batalhou muito, todos trabalhavam dia e noite, durante vários anos, e só assim tivemos sucessso. Depois de um tempo, Yoshikazu teve a idéia de criar um espaço onde os japoneses pudessem viver o Brasil sem esquecer do Japão. Em 1951, decidimos construir uma empresa constituída de cinema, restaurante, espaço para eventos culturais e ainda um hotel. Foi assim que surgiu o Cine Niterói.

Todo mundo me pergunta por que o nome Niterói, já que é uma cidade do Rio de Janeiro. Daí eu respondo: é a soma de 'nitto' (que significa Japão) com herói. Niterói fica como 'Herói do Japão'. Para construí-lo, trouxemos muita madeira da serraria de Iwao, e todos nós passamos a fazer um grande sacrifício, transferindo o capital das empresas para o cinema. Por isso a gente diz que o Cine Niterói não foi construído com cimento, ele foi feito de feijão!

O cinema foi inaugurado em 1953, na rua Galvão Bueno (no bairro da Liberdade, em São Paulo), e fez muito sucesso. Era um lugar muito importante para a colônia japonesa, pois virou um ponto de encontro para turistas, homens de negócios, jovens, todo mundo. Por causa desse movimento, ele passou a atrair cada vez mais comerciantes japoneses para a região, e dessa concentração resultou a formação do bairro japonês, a Liberdade. Meu irmão Yoshikazu ia sempre ao Japão para escolher os filmes da Toei, e começou a buscar os artistas mais famosos para se apresentarem aqui no Brasil. Eles ficavam hospedados no hotel, e as recepções nós fazíamos aqui em casa, e todo mundo queria vir.

O Cine Niterói teve que mudar de local em 1968, por causa da construção da Radial Leste. Depois disso, ele durou até 1988. Além dele e dos outros negócios da família, passei a trabalhar no ramo de celulose, e em vários outros empreendimentos. Nossa, foram muitos negócios diferentes. Abri uma indústria de embalagens em Diadema, a Clariza. Ainda hoje tenho minha mesa, vou até lá de vez em quando.

Sou budista fervoroso. Todo mundo tem que ter fé, pois atrás de tudo existe uma força divina, maior. Isso já me salvou muitas vezes. Rezo três vezes por dia. Hoje, meus irmãos já faleceram, sou o único da minha geração, e por isso acho importante valorizar a história da minha família, pois tem muita coisa que só eu ainda lembro.

Minha mãe chegou aos 100 anos, eu estou com 93. Chegando na minha idade, a coisa que mais me dá prazer é ver meus filhos e netos. Casei com Mioko Tanaka no Paraná, através de miai (arranjo entre famílias), como era costume na época. Ficamos 40 anos casados, até ela falecer, em feveiro de 1978. Sobre meus filhos, eles eram seis, um já faleceu. Tenho 14 netos e quatro bisnetos; a mais velha já tem 14 anos. Fico muito orgulhoso ao ver que meus filhos conseguiram mais do que eu. Pergunto sempre por meus netos e bisnetos, quero saber o que eles estão fazendo, se estão precisando de alguma coisa, de ajuda, de dinheiro. Sinto-me muito vitorioso na minha vida, pois estão todos bem encaminhados.

Depoimento ao jornalista Leonardo Nishihata
Fotos: Leonardo Nishihata e arquivo pessoal de Sussumu Tanaka


Enviada em: 13/11/2007 | Última modificação: 14/11/2007
 
A chegada ao Brasil no Montevideo Maru »

 

Comentários

  1. Elisa K. @ 31 Jan, 2008 : 19:15
    Tanaka-san, para muitos daqueles que viviam no interior, as raras viagens à capital significava uma ocasião para se atualizar com a realidade japonesa do pós-guerra, através também da cinematografia no Cine Niterói. Com quantas diferentes emoções as suas projeções não terão presenteado o público? Para os imigrantes, a sede pela cultura era saciada nas livrarias e no jornalismo local; e o cinema, cumpriu sua parte, oferecendo lazer e emoções. O cinema se fechou, mas seu nome permanece registrado na história da imigração e na memória de muitos cinéfilos que ainda vivem.

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