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Fábio Marcos Eiji Okuda

São Paulo / São Paulo - Brasil
38 anos, Programador

Diitians e Baatians


Sempre quando ouço sobre o centenário da imigração japonesa me vem à memória meus pais e principalmente meus avós.
Penso nas dificuldades que meus avós encontraram para que hoje eu tenha tudo o que eu tenho.
Meus pais sempre trabalharam muito e quando nasci, meus avós tiveram grande participação na minha educação.

Meus avós sempre foram super batalhadores, coisa que penso que falta nos descententes(e me incluo nesse grupo).

Minha avó por parte de mãe: "Alice Miyako" teve derrame desde meu nascimento(não tive nada a ver com isso!) que paralisou metade do corpo. Mesmo assim ela nunca desistiu de fazer as coisas. Lavava e passava roupa, praparava comida, era super divertida, entre outras coisas. Uma vez ela estava estendendo roupa e entre uma roupa e outra, ela foi coçar a bunda. Eu e meu irmão vimos e desde então sempre caçoávamos dela. Ela sempre ria conosco!

Meu avô "Eichi Kudo" tb era muito engraçado. Ele fazia muitas palhaçadas mas acho que era muito paqueno para entender! Única que me lembro é que ele fazia pum e falava que era um sapo! Eu achava um barato!

Minha avó "Setsuko Okuda" morava conosco e teve uma participação muito grande em minha formação. Ela sempre fazia "aojiro"(suco verde) e gritava: "Aooojiiroooo.." e iamos correndo tomar. Teve uma época que ela começou a ensinar nihongo(japones) para nós(eu e meus irmãos). Lembro que ela sempre falava para aproveitar aquele momento pois ela não viveria para sempre. Eu sempre achava que isso tudo era besteira..

Meu avô "Shin Okuda" jogava "Gomokunarabe" comigo(um joguinho de fazer uma fileira de 5 pedras). Que fazia eu ficar pensando bastante. Ele foi quem mais viveu e único que eu pude fazer alguma coisa por ele.

Ele nunca cansou de aprender e mesmo em idade avançada queria aprender a mexer no computador, anotava tudo para não precisar perguntar duas vezes a mesma coisa.

Ele dizia que gostava de minha massagem e sempre que eu podia(tá vai, nem sempre) eu fazia e ele falava que ficava bem. Meu professor de massoterapia é que fazia massagem em meu avô, mas por mais incrível que pareça, ele falava que minha massagem era melhor que a de meu professor. É um absurdo não!?! Acredito que haja uma troca de energia entre familiares principalmente entre netos e avós. Acredite, abrace seus avós e verá que eles sentirão muito melhor com o seu abraço que o de outra pessoa.

Ele era um grande tenista, e sempre fazia as coisas com muita vontade. Mas o tempo é cruel e certo dia ao caminhar o pé falseou e ele bateu a cabeça no chão. Fez vários exames e não verificou nenhuma lesão. Parecia que voltaria com as atividades normais, e outro dia no quarto caiu e bateu a cabeça novamente. Desta vez foi mais grave o que fez com que fosse internado. Com o tempo ele foi perdendo as forças e não conseguiu mais andar, nem falar. Foi uma luta contra o tempo que a cada dia judiava mais do corpo. Tentava animar meu avô, falava sobre o meu dia, pedia para me ensinar um pouco mais de japonês mas não havia mais forças..

Hoje só posso ter meus avós em memória...
O que fica no final é que nossos avós batalharam muito para que hoje nós, netos, colhermos tudo o que eles plantaram.

Diitians, Baatians.. Doomo Arigatou!


Enviada em: 28/02/2008 | Última modificação: 01/03/2008
 

 

Comentários

  1. Sílvio Sano @ 29 Fev, 2008 : 08:03
    Fábio, você é um jovem que conviveu e captou bem, sem perceber, o espírito ancestral. E agora, em virtude do momento, do centenário da imigração, fazendo um reflexão ao passado, faz aflorar todo esse aprendizado que estava "lá dentro", adormecido. E até com um gostoso e sutil humor, herdado, com certeza, do diitian Eichi Kudo. E o "arigatou aos diitians e baatians", no final, é o reconhecimento a todo esse aprendizado. Tenho certeza de que ainda vai colher bons frutos disso, se já não os tiver colhendo. Parabéns.

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Este projeto tem a parceria da Associação para a Comemoração do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil

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