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  Conte sua históriaAlice Takahashi Nariçawa › Minha história

Alice Takahashi Nariçawa

Taubaté (SP)
76 anos, advogada

Buenos Aires Maru


Meus pais, Toyohei e Hazue Takahashi, juntamente com os três filhos nascidos do primeiro casamento de meu pai: Kunissaburo, Assaji e Toshiji, saíram de Gumma-ken e aqui chegaram em 08/01/1934, no navio Buenos Aires Maru, trazendo nas suas bagagens muitas esperanças de prosperidade e sonhos de uma vida melhor.

Aqui chegando, do porto de Santos foram encaminhados para a Casa dos Imigrantes, de onde partiram rumo à fazenda Santa Cecília, em Santa Cruz do Rio Pardo (SP), para trabalharem no cafezal. Como todos os demais imigrantes, enfrentaram muitas dificuldades tanto no idioma como nos costumes, clima, hábitos alimentares,completamente diferentes dos do Japão, sendo a adaptação bastante sofrida.

Dentro deste cenário, é que se iniciou a minha história de vida.

Hoje, tenho três irmãos vivos: Tomiko, Chinobo e Massako, irmã que nasceu do segundo casamento de minha mãe.

Sou nissei, nascida em Santa Cruz do Rio Pardo no ano de 1944, já órfã de pai, que falecera três meses antes do meu nascimento. Na verdade, tenho conhecimento da minha existência, somente após os meus três anos de vida.

Quando eu tinha 3 anos, minha mãe recebeu, através do nakodo (padrinho de casamento, da época), o convite para se casar com Zenju Gimbo, imigrante, vindo de Yamagata-Ken, viúvo e agricultor que morava na cidade de Santo Antonio do Pinhal.
Num ato, que eu acho de muita coragem, minha mãe, confiando plenamente nas palavras do nakodo em relação às boas qualidades pessoais do futuro marido, aceitou casar–se com ele, sem ao menos conhecê-lo pessoalmente.

Assim, reunimos todos os nossos pertences e, de malas prontas, fomos todos de mudança para o primeiro encontro e casamento, ao mesmo tempo, de minha mãe, que se realizou num restaurante na cidade de Pindamonhangaba. O fato que muito me marcou foi justamente este meu primeiro encontro com o padrasto. Aquela figura de um homem alto, forte, vestindo um sobretudo cáqui comprido até os joelhos, com chapéu na cabeça, gesticulando e falando alto, muito me impressionou. Até posso dizer que a idéia de que aquele senhor até então desconhecido passaria de repente a ocupar o lugar de meu pai pareceu-me realmente muito assustador.

A partir do casamento de minha mãe, houve muitas mudanças na nossa vida.
Mudamos para o sítio do meu padrasto na cidade de Santo Antonio do Pinhal, onde passei o maior tempo da minha infância e onde também nasceu a minha irmã, Massako.
Tudo era muito primitivo. Lembro-me da casa muito simples, construída com as paredes feitas de barro amassado e coberta de sapé. Lembro-me também do banho que era tomado no “ofurô” improvisado num tambor de latão, encaixado num fogão montado com tijolos. A água do banho, armazenada naquele tambor, era esquentada com fogo de lenha e trocada diariamente com muito sacrifício, pois era trazida com balde do poço que ficava longe. Recordo-me também do fogão a lenha e, como lá fazia muito frio no inverno, adorava ficar pertinho dele para me aquecer.

Aos 6 anos, antes mesmo de ser matriculada na escola primária, freqüentei nesta mesma cidade o ”Nihon Gako”, escola japonesa, onde aprendi a cantar o Hino Nacional japonês, aprendi a ler, escrever e fazer tabuadas em japonês. Decorei tão bem que até hoje tenho mais facilidade em fazer contas de multiplicar em japonês que em português.

Depois mudamos para o bairro do Una, na cidade de Taubaté, onde o meu padrasto continuou na agricultura, cultivando arroz e vários tipos de legumes.

Aos 7 anos de idade, iniciei em Taubaté o curso primário no Grupo Escolar Dr. Lopes Chaves, sempre hospedada em casa de amigos da família que moravam na cidade, porque eu sempre morei na “roça”, lugar longe e de difícil acesso às escolas.

Em 1959, concluí o meu curso ginasial no internato do Colégio Nossa Senhora do Bom Conselho, dirigido pelas freiras católicas da Congregação São José, onde, além de outras matérias, tive noções de religião e aprendi a rezar as minhas primeiras orações.
Era um colégio exclusivamente feminino. Hoje, o colégio não existe mais e no prédio funcionam repartições públicas da Prefeitura Municipal.


Enviada em: 11/10/2007 | Última modificação: 16/10/2007
 
« Instituto Michie Akama

 

Comentários

  1. Marcos @ 27 Nov, 2007 : 03:03
    Parabéns pela bela trajetória de vida, Alice! Obrigado por dividir um pouco de sua história conosco! Abraços, Marcos

  2. Kazumi @ 24 Dez, 2007 : 12:48
    Oi tia. Que belezinha!!! Estou em Paraguaçu, passando o Natal e mostrei sua história e da Bá para todo mundo.Ficamos todos emocionados, Apesar de ja conhecer tudo, choramos e rimos com toda trajetória de nossa família. Beijocas no coração.

  3. Fernando @ 15 Jan, 2008 : 15:00
    Essa é a minha querida mamãe

  4. Marcos-San @ 19 Fev, 2008 : 10:39
    Alice, Parabéns pela bela história. Tive o prazer de trabalhar com o seu filho na GM, Fábio, tenho belas recordações do excelente profissional que ele era. Abraços!

  5. Sonia @ 10 Mai, 2008 : 16:56
    Oi Alice, muito bonito sua história. Eu também tiver a grande honra de conviver com a nossa querida Michie Akama.. Quantas saudades e ensinamentos ela nos deixou, não é mesmo? Eu atualmente trabalho no Centro Educ. Pioneiro, que é mantida pela Fund. Michie Akama. Abraços.

  6. Alice Takahashi Nariçawa @ 18 Mai, 2008 : 11:38
    Oi, Sonia, vc me escreveu em 10 de maio e fiquei muito feliz em saber que vc leu a minha história e me escreveu. É muito bom encontrar com alguém que estudou na mesma escola. EStudei há muitos anos atrás, em 1963 e vc? Desde que sai da escola Michie Akama, nunca mais tive notícias da Akama sensei. Gostaria que me falasse sobre ela. Abraços.

  7. Alice Takahashi Nariçawa @ 18 Mai, 2008 : 12:02
    OI, Marcos-San. Obrigada por ter me enviado a mensagem. Você me escreveu em 19 de fevereiro e só agora estou te dando retorno...desculpe-me pela demora. Gostaria de saber mais sobre você, uma vez que foi colega de Fábio. Com relação a ele, guardo na minha memória os bons momentos que passei ao lado dele. Abraços

  8. Marcos-San @ 18 Mai, 2008 : 17:49
    Prezada Alice. Conheci o Fabio na GM, onde trabalhei por 6 anos. Tinha de realizar alguns contatos com o pessoal da engenharia de São Caetano e assim fiquei conhecendo seu filho. Em 2002 deixei à GM e não tive mais contato com o Fabio. Tbém guardo na memória o quanto ele era especial. Fico feliz em falar com a Senhora. Felicidades e muito sucesso. Abraços!

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