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Luiz Fukushiro

São Paulo (SP)
34 anos, jornalista

Uma infância aos dezesseis anos


Como bom japonês falsificado, eu tardiamente resolvi aprender a língua dos meus avós, que já haviam falecido quando eu ainda nem o português falava. Por isso eu não sabia nem mesmo aquele conhecido “japonês de batchan”, que incluem expressões como “abunai”, ”baka” e ”urusai”, já que não houve o convívio. Meu pai, nissei, entendia o japonês, mas nunca o ensinou aos filhos, não por má vontade, mas porque a casa era uma mistura nipo-italiana – e ele respeitava isso. Portanto, o interesse tinha que ser individual.

Após encerrar o obrigatório inglês, eu resolvi partir para uma nova língua. Sempre me atraíram as línguas que utilizam alfabetos que não o nosso romano. Aí meu sobrenome pesou na escolha: me matriculei na escola de japonês da Associação Cultura Nipo-Brasileira de Bauru.

Diferentemente da escola de inglês, o nihongakkou proporciona muito mais atividades. Mal lembro dos meus colegas anglófonos, mas do pessoal do gakkou muitos ainda são amigos próximos. Isso porque haviam festas, festivais, encontros. E todo mundo queria ir.

Na minha turma, eu era o mais velhos, pois no geral os descendentes começam cedo. Mas nos níveis mais avançados tinha gente da minha idade na época. Formou-se uma turma.

E mesmo com nossos dezesseis, dezessete – e até mesmo vinte e poucos – anos, íamos aos encontros regionais da escolas de japonês, os famosos rinkangaku. Juntavam várias escolas das cidade da Alta Paulista, como Araçatuba, Birigüi, Lins, Pereira Barreto e Bauru. Era uma infância japonesa que eu nunca tive: tinha gincana, teatro, concurso de oratória, todo mundo cozinhando. Era uma beleza.

Até os dezoito eu estive lá, cantando "Haru ga Kita", ou fazendo o Lobo Mau em uma Chapeuzinho Vermelho versão nipônica (que era "Akatzukinchan"). Além de aprender o japonês (que rendeu um 4-kyuu no Nouryoku Shiken), foi uma introdução à cultura japonesa. Daquela, que se fala "urusai", sacaneia o amigo chamando-o de "baka", come churrasco guardado no isopor com oniguiri e pepino fatiado.


Enviada em: 17/01/2008 | Última modificação: 17/01/2008
 
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Comentários

  1. Rita de Cássia Arruda @ 4 Mai, 2008 : 15:02
    Prezado Luiz: Maravilha de relatos esses seus. Eu realmente nunca vi antes um um japonês barbudo de 1,80 m, mas quero muito crer que essa mistura deu muito certo. Acho que você soube tirar de letra esse tal "carma" que diz ter e magistralmente assimilou o que há de melhor de nossa cultura brasileira, da japonesa e da italiana também. Depois desse mergulho que há dois anos deu no Japão e de ter se "niponizado", como você mesmo disse, não pode mais ser considerado um "japa fajuto", né? Obrigada por dividir conosco suas histórias. Parabéns. Um abraço.

  2. Patricia @ 2 Set, 2008 : 22:32
    Eu fazia o mesmo caminho que você para ir trabalhar. Morava no prédio da frente, minha mãe ainda mora la.

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