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Emilie Sugai

São Paulo / SP - Brasil
55 anos, coreógrafa e dançarina

Infância e adolescência


Eu nasci em São Paulo e cresci na casa-escola da minha avó, na Rua Ferreira de Araújo, em Pinheiros. Como morávamos na casa dela, ficávamos todos em um cômodo só. Eu lembro que os armários eram todos de caixote. As amigas que eu tinha eram daquele bairro. Depois nos mudamos para a Rua Antônio Vieira de Medeiros. Lá era um pouco diferente. Meus pais tinham o quarto deles e nós ficávamos em um cômodo separado. Mas a casa era bem simples. Lembro dessa coisa bem japonesa de ficar todo mundo junto. Então eu tinha um sonho de ter uma casa grande, porque para mim aquilo era muito pequeno e eu via as casas das minhas amigas, que eram maiores.

Na infância tive amigas bem misturadas, mas me lembro mais das não-descendentes. Na escola da minha avó aprendíamos brincadeiras japonesas, mas com os meus amigos as brincadeiras eram bem brasileiras. Tive mais contato com descendentes de japoneses quando participei de um coral de crianças. Cantávamos tanto músicas brasileiras como japonesas, mas aí eu tinha que decorar as letras japonesas, porque não entendia nada. Ali aprendi brincadeiras japonesas, como o jan-ken-po, que é como o “dois ou um” brasileiro. No primário fui para a Escola de Aplicação da USP. Já na minha adolescência eu participei de um grupo de jovens da igreja, todos descendentes de japoneses. Sempre íamos acampar, mas teve uma hora que não achei mais tão legal andar só com descendentes.

A minha geração tem um conflito muito grande entre o modo de ser do japonês e o do brasileiro. Tanto que, se minha avó não tivesse falecido quando eu ainda era muito pequena, talvez eu tivesse aprendido o idioma. Como não tive uma longa convivência com ela, acabei afirmando mais minha origem brasileira.

Depoimento à jornalista Juliana Almeida
Fotos: Everton Ballardin e arquivo pessoal de Emilie Sugai
Vídeos e áudios: Estilingue Filmes


Enviada em: 26/10/2007 | Última modificação: 31/10/2007
 
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Comentários

  1. miriam hirata karassawa @ 28 Nov, 2007 : 02:34
    Já tinha lido o seu depoimento, despertando uma grande curiosidade em conhecer o seu trabalho. Coisas do acaso!!! a conheci na Fundação Japão, no curso de Christine Greiner. Fui apresentada a vc pela Akiko. Quando acontecer alguma apresentação, por favor avise-me ok. Fico no aguardo. bjs

  2. Emilie Sugai @ 6 Dez, 2007 : 12:21
    Olá, Miriam ano que vem estarei com dois trabalhos: estreando meu novo solo inspirado na peça de teatro Nô "HAGOROMO" de Zeami; e participando do teatro-dança de Antunes Filho "Foi Carmen Miranda", que homenageia o mestre de dança butoh Kazuo Ohno. Os dois trabalhos serão apresentados meados de fevereiro/março de 2008, mas no momento não tenho a definição das datas. Avisarei-a oportunamente. bjs

  3. [um amigo] @ 11 Mar, 2008 : 03:29
    Emilie: Paz, Felicidades, Excelência em projetos vindouros e... [Lua silencia / Ao som de mares intensos / Ondas não se quebram.] Lembranças!

  4. Renato Yassuda @ 12 Mar, 2008 : 14:56
    Prezada Emilie; Parabéns pelos depoimentos e obrigado por compartilhar suas impressões conosco. Pelo conteúdo deles, parece que você encontrou e percorre seu caminho com bastante satisfação e sucesso. Um fato interessante é que nos descendentes de japoneses temos uma certa dificuldade em nos definirmos quanto a nós mesmos. Parece que durante muito tempo existe um duelo para definir o que somos. Somente quando entendemos e aceitamos o fato inquestionável que somos brasileiros, com um espírito japones é que a tranquilidade e a harmonia passam a existir. Existem infelizmente algumas ocasiões que nos cobram por esperar comportamentos japoneses, o que não somos.Por outro lado, como brasileiros esperam de nós reações típicas de japoneses, o que, mais uma vez não somos. Também admiro artes marciais e objetos como espadas japonesas (kataná), mas ao contrário dos que todos dizem, não tenho estes gostos somente por ser filho de japoneses e sim porque sou brasileiro e me identifico com valores como Honestidade, Coragem, Gratidão, Honra e Humanidade. Estes valores são comuns a diversos seres humanos e não a povos ou raças específicas. Divulgue sempre os bons valores para a humanidade. Atenciosamente; Renato Yassuda

  5. Mônica @ 16 Jun, 2008 : 16:43
    Belo depoimento Mi, gostei de saber mais da história de vocês. Parabéns por "Foi Carmen", estou orgulhosa de ti. bj

  6. Pamela @ 25 Jun, 2008 : 13:10
    Ola',Emilie. Vi fotos de espetaculos seus e me interessei. Gostaria de saber se voce vira ao Japao ate outubro do ano que vem? Abracos

  7. Patricia @ 28 Jul, 2008 : 12:26
    Caríssima Emile, assisti neste final de semana ao seu espetáculo Hagoromo, confesso que fiquei muito impressionada com seu talento, com a leveza e, ao mesmo tempo, a intensidade dos seus movimentos. Façanha para poucos. A dança da deusa da Lua foi incrivelmente lunar, lindo, poético, sublime. Assisti a duas montagens dessa peça, dentre elas o Noh clássicão. A sua performance é criativa sem as histerias que as montagens contemporâneas costumam portar. É uma história muito importante para mim, que sou xintoísta. Parabéns, você é uma grande artista. Se você tiver um mailing list para divulgar seus trabalhos, por favor me adicione.

  8. ERICA MARQUES @ 7 Abr, 2010 : 12:00
    OLÁ EMILIE SAUDADES SE LEMBRA DE MIM AINDA ERICA DO TIMOL CREIO QUE SIM ADORO VOCÊ VC ME ENSINOU MUITAS COISAS SOU SUA FÃ VIU BEIJINHOS E ABRAÇOS BEM APERTADO AHH ESTOU MORANDO EM UBERLANDIA PERTINHO DE GOIAS QUANDO PASSAR POR AQUI ME AVISA PARA ME FAZER UMA VISITA ERICAMARQUESSOARES@HOTMAIL.COM ME ADD ORKUT ERICA MARQUES E LUIZ PAULO BEIJOS

  9. Pedro Sugai @ 26 Nov, 2010 : 19:16
    nossa q medo achu q tenho um avo com o nome teiji sugai msm q a minha vó tava falando pra mim =O. e minha vó morava em maua na época da adolescencia do meu pai e depois foi para santos com meu avo.Conhecidencia. . .

  10. Pedro Sugai @ 26 Nov, 2010 : 19:16
    talvez sejamos parentes =D

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