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Ricardo Terumichi Ono

São Paulo
45 anos, engenheiro naval

Identidade nipo-brasileira


É um belo momento para reflexões. As comemorações do centenário não devem se restringir ao grande evento que está por vir. Nós, descendentes de japoneses nos sentimos extremamente orgulhosos de estarmos aqui e sermos o que somos. Para muitos, esse orgulho transcende a sensação do mero patriotismo ou saudosismo de um cidadão. É o orgulho de estar carregando um legado de tradição, costumes e ensinamentos que se traduzem em referenciais de vida.

Sou nissei, 30 anos, engenheiro naval, casado com uma legítima brasileira, pai de uma linda menina mestiça (a caminho). Meus pais são da província de Kagawa e de Kyoto e tenho mais três irmãs, sendo a mais velha residente em Tokyo. Dessa forma, minha criação/educação dentro de casa foi toda calcada na filosofia oriental, de uma maneira bastante tradicional. Poderia dizer que minha alfabetização foi bilíngüe: desde pequeno, costumava conversar com meus pais em japonês e com os meus amigos e irmãs, em português. Ah..., para não ficar com os vícios caseiros, logo fui matriculado na escola de língua japonesa. Estudei o idioma por uns quinze anos, até obter o certificado de proficiência.

Como manda a tradição, a prioridade em casa sempre foi a educação. Dentro das possibilidades, meus pais nos proporcionaram o melhor que poderiam ter feito em termos de formação a todos nós. Hoje, posso afirmar categoricamente que estamos colhendo todos os frutos desse esforço.

É verdade que sempre foi uma vida regrada, bastante disciplinada e de muita cobrança. Não foi nada fácil adaptar-se naturalmente ao mundo ocidental em um ambiente oriental, sobretudo na infância. Tínhamos o dever de estar sempre um passo adiante dos demais. Essa era o lema de meus pais. Assim, o espírito de luta e perseverança em torno de objetivos sólidos sempre norteou a minha vida.

Por outro lado, a convivência com colegas e ambientes brasileiros nunca foi censurada. Tive relacionamentos com pessoas não descendentes e acabei me casando com uma legítima brasileira, a Regina. Em alguns momentos, meus pais expressaram algum desejo para que eu tivesse um relacionamento mais sério com uma descendente japonesa, mas para mim, isso nunca foi restritivo.

O choque de culturas foi inevitável. E ainda o é. Tento conciliar ambos os lados, buscando sempre um consenso e felizmente creio que tem sido bastante tranqüila a relação de todos nós. O pior de tudo é a dificuldade de comunicação: existem coisas que não são traduzíveis, isto é, algumas expressões de sentimentos são particulares de cada idioma e geralmente carregam em si um sentido dentro de um contexto das respectivas formas de pensar. Por exemplo, é comum o silêncio ou a omissão ter diversos significados; o pior é que ás vezes, antagônicos. A independência na relação familiar é outro ponto crítico das diferenças. Os brasileiros, na maioria dos casos, mantêm um relacionamento entre pais e filhos muito mais próximo, mais caloroso, mais presente, mais participativo, correto? Nós, descendentes de japoneses, temos essa deficiência de afastarmos muito dos pais ao sair de casa; acabamos criando algumas barreiras no relacionamento que causa bastante estranheza aos brasileiros e a Regina.

Em breve, a Sayuri estará conosco. É a nossa primeira filha, uma mesticinha que terá em seu sangue essa mistura de tradição, cultura e pensamentos e que estará carregando uma herança mesclada de virtudes de ambas as culturas. Eu e a Regina conversamos muito sobre a forma de criação e educação para o bom desenvolvimento dela e certamente tenho a missão de transmitir ao máximo os valores da cultura oriental e assim perpetuar a nossa linhagem japonesa.

Em poucas palavras, posso dizer que sou parte de uma colônia que busca manter as raízes, divulgar e transmitir a cultura japonesa, ressaltando as grandes virtudes para que a nossa convivência no Brasil se torne cada dia mais harmoniosa, através da construção de uma identidade comum: a nipo-brasileira.


Enviada em: 11/10/2007 | Última modificação: 11/10/2007
 

 

Comentários

  1. Kátia @ 8 Out, 2007 : 16:04
    Desejo que a Sayuri tenha muita saúde para alegrar a todos nós!

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Este projeto tem a parceria da Associação para a Comemoração do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil

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