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Luiz Hideo Ishida

São Paulo / SP - Brasil
78 anos, engenheiro mecânico e professor universitário

Origem


Meu avô, Tsunejiro Ishida, era oficial (Kaigun Taisa) da Marinha Imperial Japonesa, participou da guerra contra a Rússia com o navio “Gunkan Harusame” e recebeu várias medalhas do governo japonês. Após se aposentar, comprou 35 alqueires de terra (ou as recebeu do governo japonês a título de recompensa por sua participação na guerra?) em um país chamado Brasil, onde seus limites não seriam possíveis de serem avistados de tão grandes...

Chegou aqui junto com a família de seu sobrinho, Asashi Kawanami,(para ficar no anonimato por ser ex militar) ao Porto de Santos a bordo do “Takoma Maru” em 1º de setembro de 1927, trazendo um pouco de tudo, inclusive uma vasta biblioteca. Foram recebidos com uma banda musical e pensaram que era uma recepção devido a sua importância. Ledo engano! Era a semana da Independência...

Viajaram ao novo lar em Registro, na região do Vale do Ribeira (SP). Ficaram decepcionados, pois a mata virgem era toda fechada, a topografia desfavorável e o clima terrível. Sem opções, começaram a desmatar e a plantar 20 mil pés de café e outros produtos com a ajuda de caboclos locais. A região foi incrementada com escola e hospital, porém, o isolamento da civilização era terrível.

Meu avô chegou a retornar ao Japão para vender sua casa num terreno enorme em Fukuoka para poder aplicar aqui no Brasil, porém, em função da recessão, não conseguiu realizar o negócio. Então, resolveu trazer uma esposa ao seu primogênito (meu pai, Takeshi, com 24 anos na época). Em contato com a “futura” nora, a mesma ao saber das condições, desistiu. Sua irmã mais nova, já professora com 17 anos (minha mãe, Takeko Haguiwara de Honjo, da província de Saitama), talvez por ingenuidade ou espírito aventureiro, concordou em substituí-la e com ele veio ao Brasil em 8 de dezembro de 1932 no navio “Montevideo Maru”.

Minha mãe descreveu a sua aventura no artigo “Raiz Transplantada”, premiado e publicado na revista “Fujin no tomo”, de maio de 1983. Ajudou a desbravar as terras e o seu primogênito, Shogo, faleceu logo após o nascimento, pelas condições precárias de assistência médica.

Em Registro, nasceram minhas duas irmãs, Emiko (professora) e Mariko (farmacêutica), que, ao ficar muito adoentada, fez com que meus pais se mudassem para São Paulo. Pouco a pouco, todos vieram para a capital, abandonando o “mar de terras”.


Enviada em: 08/11/2007 | Última modificação: 27/07/2008
 
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Comentários

  1. Gerson Bergamin @ 26 Nov, 2007 : 21:53
    A família Ishida é um exemplo de sucesso da Imigração Japonesa neste país. Com o Luiz Hideo e a Cecília, e agora com o Edson e a Ieda Maria, são já duas gerações de brasileiros a perpetuar tão nobres anseios e virtudes. Como tantos outros imigrantes que escolheram esta nação como sua nova pátria o Takeshi e a Takeko Ishida jamais esqueceram as suas origens mas souberam, como poucos, valorizar tanto este nosso Brasil. Parabéns Luís Ishida, meu instrutor de planador e de tantas outras coisas, parabéns Cecília pelo seu carinho e pelas saladas deliciosas que só você sabe fazer. Cmte. Bergamin Dubai quase dez/07

  2. Sílvio Sano @ 2 Dez, 2007 : 13:56
    A história do Luiz é muito interessante e, dentro desse escopo, bastante reveladora. Muita coisa, na verdade, há por trás de sua narrativa, e que ele próprio, talvez, não tenha conseguido decifrá-la, Os historiadores, interessados na história da imigração japonesa, e até na própria história daquele país, deviam procurá-lo... até para ajudá-lo a entender a própria história. E Luiz acaba “revelando” também o sangue que lhe corre nas veias: avô, patriota, dedicado e de alta patente militar; pai, poeta de senryu e com o seu “Diário de uma Viagem ao Nordeste do Brasil”, publicado no Japão; mãe, também com artigo (“Raiz Transplantada”) publicado, e premiado, no Japão; seus filhos, Edson, responsável pelo jornal eletrônico Hai Net (www.hainet.com.br) e Ieda, com doutorado no Japão e fazendo pós-doutorado no Canadá; e, ele próprio, engenheiro, professor e praticante de vôo à vela, com participação em campeonatos mundiais, sem contar que se trata de um bom (razoável, vai!) cantor de músicas italianas. Querem mais?

  3. Yassuda Renato @ 17 Jan, 2008 : 13:03
    Prezado senhor Luiz Ishida; Gostei muito de ler seus depoimentos e também me identifiquei com muitos assuntos que o senhor comentou, tendo inclusive o fato que temos ancestrais que vieram da mesma província no Japão. Meu avô também passou pelas mesmas desventuras vividas por sua família durante a II Guerra Mundial. Também teve sua casa invadida e seus bens tomados e além disso, a família foi aprisionada em um campo de concentração no mesmo município onde moravam, Pindamonhangaba - SP. Só que em poucos dias foram soltos e retomaram a vida normal. No entanto alguns bens foram confiscados como rádios, documentos escritos em japonês e também 02 espadas. Deve ter sido traumatica a experiência pois assim como o senhor era, meu pai é bastante distante das tradições e costumes do povo japonês.Só recentemente é que veio a aprender algo à respeito devido ao meu interesse para o assunto. Eu próprio tenho um interesse sobre espadas Katanás devido ao fato de saber que meu avô as possuia e que foram tomadas pela polícia política do governo de Getúlio Vargas. Gostaria que o senhor pudesse ler "minha história" em meu perfil. Seria uma grande honra. Me despeço agradecendo sua atenção e lhe desejando saúde e sucesso.

  4. Izabel Terumi Takata @ 17 Jan, 2008 : 20:47
    Oi Luiz Como esse mundo é pequeno, não é mesmo? Eu fui apresentado a v. como namorado da minha amiga Cecilia Shintani ! De lá pra ca, quantos anos se passaram...e agora, lendo o relato da sra. Ishida, descubro que ela é a sua mãe, sogra da Cecilia ! Eu fiquei muito emocionada com o relato da sra. Ishida e depois disso, conversei longamente com a Cecilia e fiquei sabendo de mais detalhes dessa longa trajetoria de Japão para o Brasil, até os dias de hoje... Realmente, v. pode considerar a sua mãe como uma grande heroina e acima de tudo, uma vitoriosa sim. Enfrentar tudo o que enfrentou, num lugar estranho, com gente e costumes estranhos, em condições super precarias e ainda assim, fazer tudo que fez e chegar onde chegou, justas e merecidas são as homenagens que lhe são atribuidas. E parabens a v. também, pelo sucesso familiar e profissional. Tenho acompanhado o sucesso dos seus filhos também, atraves da familia Shintani. A tia Rosinha, principalmente, não cansa de tecer elogios aos sobrinhos. Um grande abraço e felicidades.

  5. Lígia e Luiz Liske @ 21 Jan, 2008 : 19:40
    Ter o Luiz Ishida e a Cecília no rol de nossas amizades é uma honra e um prazer. Conheci o Ishida quando comecei a praticar vôo a vela em Jundiaí, em 1965. Eu já era piloto de avião, mas foi ele que fez o cheque para meu solo de planador. Fui tb seu aluno nos cursos´teóricos, que éramos obrigados a assistir, e sei em primeira mão da qualidade de suas aulas e de seu didatismo. Ele foi testemunha do início do meu namoro com aquela que se tornaria minha mulher. Tivemos a honra de sermos convidados para padrinhos de seu casamento e não por acaso convidamo-los para serem os padrinhos de meu filho Arthur, função que até hoje, 28 anos depois, ainda exercem com uma dedicação, digamos, nipônica. Creio que é preciso ressaltar tb que o casal constitui um par de anfitriões perfeitos e as festas e reuniões que promovem são sempre memoráveis. Parabéns Ishida e Cecília. Continuem a manter o brilho da história de sua família.

  6. Luiz Santilli jr @ 24 Jan, 2008 : 12:31
    Trabalhamos juntos muitos anos na FATEC-SP. O Ishida é um grande companheiro, muito amigo, solidário, participativo e excelente professor de Projeto de Máquinas. Dou-lhe meus parabéns pela sua história de vida, exemplo para todas as gerações! Grande Ishida, abraço apertado com muita saudade!

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