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Luiz Rocha Neto

Idem / MG - Brasil
80 anos, Professor UFRJ

Grande homem que muito amava o Japão


Pelo título, Você logo percebe que estou falando do meu pai, que já está no Céu. Ele se formou em Engenharia no Instituto Eletrotécnico de Itajubá, e logo recebeu - em 1939 - uma bolsa de estudos do Governo do Japão. Foi para lá na viagem inaugural do "Argentina Marú", notavel navio para a época, da linha Osaka Shosen Kaisha. Visitou todo o Japão, e mais os lugares em que o Império Japonês se fazia presente, durante a política do "Grande Oriente de Prosperidade"o que inclui o Reino do Mandchukuo: foi um dos raros brasileiros que estagiaram naquele país.
Meu pai participou de aulas na Universidade Imperial de Tóquio, e estagiou em muitas fábricas, ficando no Japão até o final do ano 1941. Quando eu nascí, em casa do meu avô, parte do meu coração e mente estavam no Japão. E assim foi durante toda a vida: muito da sabedoria do Japão chegou ao meu espírito através do meu pai: desde a história do Momotaro, até a exemplificação de variadas matérias que fui estudando: até no meu Doutoramento (COPPE, Engenharia de Produção)
tive influência do Japão. Minha tese versa sobre a conexão da Amazônia Ocidental do Brasil com o Pacífico, com localização industrial e construção de cidades.
Quando cheguei ao Japão pela primeira vez, era como se lá já houvesse estado: na verdade, este fato não é de todo inusitado: fui batizado em uma Religião Japonesa que assim o faz com pessoas que em outras vidas foram do Japão (disso quase não tenho dúvidas).
Fiz palestras sobre a minha tese em instituições japonesas, das quais guardo respeitosa memória. Esta época meu pai ainda estava entre nós, e ficou muito orgulhoso.
Agora, no Centenário da Imigração Japonesa aquele grande amigo - filho adotivo mesmo - do Japão deve estar muito orgulhoso no Céu. Talvez chore de emoção, como o fez quando o "Brasil Marú", um pequeno navio japonês, chegou ao Rio de Janeiro no início da década de 1950, reatando outra vez a proverbial fraternidade entre as duas Gentes.
Luiz Rocha Neto, D.Sc.
Professor da UFRJ


Enviada em: 02/11/2007 | Última modificação: 02/11/2007
 

 

Comentários

  1. Elisa K. @ 3 Fev, 2008 : 20:22
    Prof. Rocha, considerado o período histórico e cultural no qual seu pai terá vivido, posso imaginar o qto a viagem o tenha marcado durante toda a sua vida. E, às vésperas da Guerra, o que pressuponho ter presenciado um clima político e social que poucos ou nenhum imigrante japonês do Brasil terá vivido. Num contexto no qual raros diplomatas ou jornalistas ocidentais teriam tão fácil acesso, suponho que suas visitas aos territórios de expansão japonesa tenha sido uma experiência única e singular. Singular por várias razões. Além do fato de ser um raro brasileiro em viagem naquele país, a condição que o levou foram os estudos técnicos, que lhe deu possivelmente o privilégio de observar o país sob um olhar neutro e sóbrio, isento de condicionamentos ideológicos e culturais. Prof. Rocha, a história do seu pai é deveras rica para ser traçada em apenas 3 ou 4 parágrafos, pois mereceria muito mais capítulos de registros aquí, ou nas páginas de História. Tendo herdado toda essa riqueza cultural do seu pai, além de sua própria experiência no Japão, seria muito interessante conhecer suas visões, contrapostas ao contexto histórico do seu pai. Que tal?

  2. Luiz Rocha Neto @ 26 Fev, 2008 : 17:21
    Senhora Elisa K.: Certamente. Estou em total disposição e entusiasmo. Em todas as áreas que estiveram na adminstração militar e civil do Império do Japão meu pai teve contacto com intelectuais locais e japoneses: como em Hong Kong, Harbin, ou Kuang T'cheu (de administração francesa) por exemplo, além das areas mais convencionais e conhecidas. Paz e bem, RN

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