Conte sua história › Tatsuaki Iida 飯田武光 › Minha história

Na hospedaria do porto de Kobe, as pessoas passavam por exames médicos, aprendiam algumas palavras em português, e eram-lhes passadas algumas informações sobre o Brasil.
Ali começava também a catequese. Era-lhes dito que, as crianças, que não fossem batizadas, não poderiam estudar no Brasil.
Lá eram-lhes entregues 50 ienes para cada adulto e 25, para cada criança. Minha baachan disse que com 50 ienes podiam-se comprar 10 vestidos ocidentais.
Shinshiro, o irmão maior do meu avô, foi nomeado chefe da família para virem para o Brasil. E, como tal, recolheu esta quantia de cada um, o que somava 400 ienes.
Embora minha tia-avó, Fukui, não fosse com a família para o Brasil, ficou, durante quase um mês, na hospedaria do porto, com seus pais, irmãos, cunhadas e sobrinhos, esperando a partida do navio "Africa Maru", o qual se despediu do porto, no dia 29 de junho de 1934, levando consigo 10 membros da família Iida para a terra das promessas e dos tesouros.
Minha baachan contou-me que, no mesmo navio encontrava-se a sra. Mitsuko Kawai, escritora de contos infantis em português e em japonês, já falecida.
Durante a viagem, houve 2 mortes, cujos corpos foram lançados ao mar, após uma singela cerimônia budista, acompanhada por toda a tripulação.
Minha baachan lembra-se de o navio ter parado nalguma cidade africana, onde os passageiros puderam descer e fazer uma caminhada.
Durante a viagem eram realizadas gincanas e outras competições esportivas, como o kendo, por exemplo, do qual meu jiichan era praticante de alto nível.
A viagem durou aproximadamente 60 dias até chegar ao porto de Santos, no dia 24 de agosto do mesmo ano.
Desembarcaram e seguiram de trem para a Hospedaria do Imigrante, localizada no bairro do Brás, porém, minha avó diz que não pernoitaram, que seguiram viagem para o interior paulista no mesmo dia.
O destino da família era uma fazenda de japoneses em Paraguaçu Paulista. O dono da fazenda já era nissei. Portanto, não tiveram problemas com os donos da fazenda, nem foram enganados com salários, mercearias das fazendas, etc. como o foram a maioria dos imigrantes japoneses. Entretanto, o salário era anual, quando ocorria a venda da safra, como em todos os casos.
Aí trabalharam na lavoura cafeeira por aproximadamente um ano. Logo, com o dinheiro juntado mais os 400 ienes arrendaram terras e dedicaram-se ao cultivo do algodão.
À medida que nasciam filhos ou mais filhos, cada casal foi-se independizando, construindo sua própria casa...
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Este projeto tem a parceria da Associação para a Comemoração do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil